No Sítio Fortaleza, a experiência de um educador ambiental

Publicado em: 17 de novembro de 2017

O professor Rosicleudo Martins não é nordestino e muito menos cearense. Ele é amazonense, nasceu e vive em Uarini (AM), e mora na comunidade Sítio Fortaleza. Então, apresentamos o professor Rosicleudo, do Sítio Fortaleza. Já o nome da comunidade tem relação com a capital do estado cearense: “Dizem que é porque uma família chegou e se instalou aqui, era, vamos dizer assim, o proprietário da terra, era do Ceará. Ele tinha família em Fortaleza e batizou a terra de Sítio Fortaleza”. Formado em pedagogia desde 2008, Rosicleudo foi um dos beneficiários das ações de educação ambiental do BioREC. Na comunidade, foi instalado um dos cinco viveiros educativos, iniciativa da proposta batizada de “Cantinhos da Ciência”. O objetivo é a criação de espaços comunitários para professores desenvolverem atividades práticas sobre meio ambiente.

Na comunidade, o espaço estimulou mais interação entre professores, estudantes e moradores. “As crianças se envolveram, e gerou participação da comunidade. Foi um projeto de grande qualidade para nós”, aponta. A metodologia do trabalho foi coletiva: “Nós fizemos o viveiro e plantamos as mudas. Também teve encontros e algumas oficinas com o pessoal da educação ambiental, alunos e comunidade. Com o mapeamento participativo, definimos onde foram plantadas as 120 mudas no ano de 2015”, relata.

Com conteúdos abordados em sala de aula, o docente avalia o retorno para os estudantes: “Através dessas atividades, as crianças souberam quais são os tipos de madeira que podem ser explorados ou que estão escassos. Que medida a árvore precisa atingir para ser manejada. Acho que tudo isso já faz parte da vida deles”.

Como a maioria das escolas rurais do Amazonas, a unidade escolar ficou em condições precárias de uso; e, atualmente, os alunos estudam no centro comunitário. Faltam paredes para afixar os resultados dos trabalhos dos estudantes: “Eu sonho de ter uma escola na comunidade. A nossa foi desativada, e nunca foi construída outra. Aqui, estamos sem a escola, e isso prejudica muito o trabalho do professor e também do aluno”. A falta de estrutura torna a profissão desafiadora, mas a recompensa é imensa: “Para mim, é um grande desafio, porque a gente ensinar criança não é que nem a gente estar lidando com outra pessoa qualquer, não é? Acho que o trabalho que a gente escolhe, a gente tem que ter sempre um objetivo para ser alcançado. Acho que, com esse tempo trabalhado, ainda há muitas coisas boas. Até porque tem professores hoje que trabalham comigo que já foram meus alunos. Então, essa é uma satisfação muito grande para mim”.

Texto originalmente produzido para o livro “Protagonistas: relatos de conservação do Oeste da Amazônia”, que pode ser baixado em mamiraua.org.br/protagonistas. Desenvolvido no âmbito do projeto “Mamirauá: Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade em Unidades de Conservação” (BioREC) e conta com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Texto: Eunice Venturi

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