No primeiro dia do Simpósio, nova ferramenta para captar informações científicas é apresentada

Publicado em:  1 de julho de 2015

O primeiro dia do Simpósio sobre Conservação e Manejo Participativo na Amazônia (Simcon) contou com a participação de cerca de 300 pessoas, para apresentação de palestras e resultados de estudos. Os pesquisadores apresentaram temas diversificados, como o monitoramento de sons da floresta, uso de recursos naturais pelas populações de comunidades ribeirinhas, comportamento e biologia reprodutiva de espécies que ocorrem na Amazônia, tecnologia para saneamento em residências flutuantes, entre outros assuntos. O evento, que está na 12ª edição, é realizado anualmente pelo Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em Tefé (AM).

Na parte da manhã, o Dr. Michel André, diretor da fundação The Sense of Silence e acadêmico da Technical University of Catalonia, da Espanha, apresentou as iniciativas de monitoramento de ruídos subaquáticos e sua interferência para a conservação da fauna da Amazônia. O projeto será implantado em parceria com o Instituto Mamirauá e prevê a instalação de 10 estações com sensores que captam qualquer barulho na floresta, tornando-se nova ferramenta de coleta de dados e apoio à pesquisa científica na Amazônia. A primeira estação foi instalada na Pousada Flutuante Uacari na última semana, sendo a primeira do projeto no Brasil. Por meio do site http://www.listentothedeep.com/acoustics/index.html é possível acompanhar em tempo real os ruídos que estão sendo captados e em breve subsidiarão novas estratégias de conservação.

À tarde, o diretor geral do Instituto Mamirauá e pesquisador, Dr. Helder Lima de Queiroz, apresentou palestra sobre o papel evolucionário dos “plugs copulatórios” e seu significado na ecologia comportamental da reprodução de primatas neotropicais, especificamente o macaco-prego. De acordo com Helder, "estudos vêm demonstrando que essas estruturas, entre primatas neotropicais, podem apresentar funções distintas da tradicional competição pós-copulatória, como observado para outras espécies, na qual funcionariam como cintos de castidade ".

O pesquisador destacou a importância do estudo, uma vez que os macacos-prego estão entre as espécies de primatas mais caçadas na região de Tefé, também pelo alto grau de ameaça de alguns gêneros, como é o caso dos Sapajus flavius e Cebus kaapori. O conhecimento científico sobre o comportamento reprodutivo desses animais pode contribuir para o desenvolvimento de estratégias de conservação.

Entre as apresentações orais esteve a do pesquisador do Instituto Mamirauá, Hani Bizri, sobre a biologia reprodutiva de pacas fêmeas na Amazônia. O estudo foi realizado a partir de amostras da região do Rio Yavarí-Mirin, situado no Peru e na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã (AM), no Brasil. O pesquisador busca identificar informações ainda desconhecidas para a espécie, como a maturidade, o número de filhotes produzidos anualmente e a sazonalidade reprodutiva das espécies-alvo, entre outras.

Entre os resultados apresentados, o estudo demonstrou que "a reprodução de pacas no Yavarí-Mirin possui duas estações marcadas de concepção e parto em dois semestres anuais, enquanto a reprodução da espécie na Reserva Amanã possui duas estações de parto em um único semestre, entre julho e outubro, com número máximo de partos nos meses com picos de cheia e de seca na região".

O Simpósio continua até o dia 03 de julho na sede do Instituto Mamirauá, em Tefé (AM). O evento reúne especialistas para apresentação de trabalhos, palestras e minicursos. O simpósio é transmitido ao vivo pela internet, e pode ser acompanhado no endereço: www.mamiraua.org.br/web.

Veja a programação completa.

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