No dia Nacional da Ciência, Instituto Mamirauá encerra Simpósio sobre conservação e manejo na Amazônia

Publicado em: 11 de julho de 2016

O 13º Simpósio sobre Conservação e Manejo Participativo na Amazônia (Simcon) foi encerrado na última sexta, 8 de julho, data em que se comemora o dia Nacional da Ciência. Durante quatro dias, foram 76 trabalhos expostos como apresentações orais e painéis, com resultados de pesquisas científicas e relatos de experiências. O evento recebeu mais de 200 pessoas que, além das apresentações dos trabalhos, também puderam participar palestras e debates, e cerca de 60 pessoas participaram dos quatro minicursos oferecidos. O evento foi transmitido ao vivo pela internet.

O Simcon é realizado anualmente pelo Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Os trabalhos melhores avaliados durante o Simpósio foram anunciados no encerramento do evento.  “Esse trabalho foi pensado e revisto várias vezes entre os autores, foram várias discussões e ainda temos muito por discutir. É um reconhecimento a um trabalho de um monte de gente, várias pessoas que contribuíram na reflexão e produção dele”, disse Ana Claudeíse do Nascimento, que ficou em primeiro lugar entre as apresentações orais. O trabalho exposto por ela tinha o título “Tecnologia Social: concepções e experiências nas Reservas Mamirauá e Amanã”.

O segundo lugar entre as apresentações orais foi um empate entre os trabalhos “O uso de dados espaciais como uma ferramenta para indicar a sustentabilidade da atividade de caça”, de Priscila Pereira; e o trabalho Efeitos da estrutura de habitat na distribuição geográfica de três espécies de macaco-de-cheiro em áreas alagadas na Amazônia Central”, de Fernanda Paim. Nas apresentações em pôster, o primeiro lugar foi para Rônisson de Souza, com a apresentação “Apetrechos de pesca e representação da cultura material na Coleção Etnográfica do Instituto Mamirauá”; e em segundo, o trabalho de Renan Paitach e Ana Júlia Lenz: “Densidade e tamanho de grupo de botos e tucuxis na Estação Ecológica Juami-Japurá, Amazônia Central”.

Os trabalhos expostos, por painel ou apresentação oral, foram avaliados por uma equipe de pesquisadores de diferentes instituições, pelos critérios: conteúdo e qualidade visual da apresentação, consistência da metodologia e resultados e desempenho do pesquisador durante a apresentação. O livro com os resumos dos trabalhos apresentados está disponível para download no site do Instituto.

“O Simcon esse ano nos surpreendeu, por conta das dificuldades que muitas instituições estão passando, a gente esperava menos inscritos e menos trabalhos apresentados. Mas o número foi grande, de quase 80 expostos. E foi muito interessante também, que agregou muito ao evento, o 2º Seminário do Biorec e, a mesa redonda, e as palestras também”, disse Maria Cecília Gomes, coordenadora de pesquisa do Instituto Mamirauá.

A ecóloga Karen Mustin, pós doutoranda na Embrapa-Amapá, esteve em Tefé para participar das atividades do Simcon. “Eu gostei muito da diversidade de pesquisas e do manejo que o Instituto faz e também das outras instituições que participaram do evento. A coisa que mais me impressionou foi a paixão das pessoas, e eu também fiquei um pouco apaixonada pelo trabalho do Instituto por isso. Com certeza, as coisas que aprendi aqui vão me ajudar no futuro”, contou

Mesa redonda

Como parte da programação, também estiveram as exposições para discutir os desafios da pesquisa e do manejo florestal madeireiro e não madeireiro em ambiente de várzea. Participaram do debate a coordenadora do Programa de Manejo Florestal do Instituto Mamirauá, Elenice Assis, os pesquisadores da Embrapa Amapá, Marcelino Guedes e Ana Claudia Lira-Guedes e o manejador florestal da Comunidade Barroso, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, Jezenias Nogueira. “A mesa redonda foi de um tema bastante interdisciplinar, que envolve temas de antropologia, sociologia, biologia, conservação. E a contribuição dos profissionais da Embrapa, que deram uma visão legal de um outro ator que trabalha com isso na Amazônia, que compartilha alguns problemas e também pode nos ajudar com soluções”, disse Maria Cecília.

Ana Cláudia apresentou a experiência da Embrapa-Amapá com manejo florestal comunitário de produtos não madeireiros. “Acreditamos na conservação pelo uso dos recursos naturais. E manejar a floresta, seja com produtos madeireiros ou não madeireiros, pode ajudar a alavancar a qualidade de vida dos ribeirinhos da Amazônia”, disse Ana, durante sua apresentação.

Jezenias é manejador florestal desde 2001, morador da comunidade Barroso, localizada na Reserva Mamirauá. Durante sua exposição, o manejador falou sobre suas experiências e sobre os desafios de realizar o manejo florestal, como é o caso da dificuldade de adequação da legislação para a realidade das comunidades ribeirinhas. “Fico pensando que o Amazonas e as regiões que têm floresta precisavam ter mais investimento. Falam muito da Amazônia na TV, mas cadê o investimento? Tem que investir pro povo trabalhar e ter benefício. Não é só pros ribeirinhos, mas o benefício vai pra todo mundo. Só manejando vamos conseguir um futuro para nós e nossos filhos”, contou.

Lançamento de publicação

Também houve, no último dia do evento, o lançamento do livro “Sociodemografia da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá”. Dávila Corrêa e Ana Claudeíse do Nascimento, duas das seis autoras do livro, apresentaram a publicação, que reúne dados sociodemográficos da Reserva Mamirauá do ano de 1991 até 2011. “Temos informações para compor o Índice de Desenvolvimento Social dessas comunidades. Essas informações demonstram as diferenças e particularidades dessa região em termos sociais e demográficos. A ideia é que essa série histórica continue para ajudar na compreensão da dinâmica e do desenvolvimento dessas populações”, comentou Ana Claudeíse.

No último dia também foram anunciados os vencedores do 7º concurso de Fotografia do Instituto Mamiraruá. As fotografias vencedoras foram divulgadas na fanpage do Instituto no Facebook. 

Texto: Amanda Lelis

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