Na Amazônia, instalação de máquinas para produção de gelo vai permitir conservação de alimentos

Publicado em: 23 de julho de 2015

Nas próximas semanas, o Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, implantará mais uma etapa do projeto “Gelo Solar: tecnologia para conservação de alimentos em comunidades isoladas da Amazônia”. Na comunidade Vila Nova do Amanã, município de Maraã (AM), instalará três máquinas com capacidade diária de produção de 90 quilos de gelo. O equipamento possui um sistema fotovoltaico inovador, que não utiliza baterias, e funciona com a captação de energia solar. 
 
Segundo Ana Claudeise do Nascimento, socióloga e pesquisadora do Instituto Mamirauá, “ao produzir gelo com energia solar localmente, as populações tradicionais poderão conservar seus produtos com custo reduzido. Com isso, vão transportar seus alimentos para os centros consumidores em melhor estado de conservação, agregando valor aos produtos e aumentando a renda familiar”.
 
Cada máquina pesa cerca de 300 quilos. Foi produzida por uma empresa sediada no Paraná, a partir de tecnologia desenvolvida pelo Instituto de Energia e Ambiente, da Universidade de São Paulo. “A tecnologia é ambientalmente aceita, por utilizar uma matriz energética sustentável e por não requerer o uso de baterias que possuem metais pesados prejudiciais à vida das famílias e ao meio ambiente”, explicou a socióloga.
 
Depois de percorrer um longo caminho, as máquinas chegaram em Tefé (AM), e estão aos cuidados da equipe do Instituto Mamirauá, responsável pela instalação, que terá início no dia 04 de agosto. Em um barco regional, os equipamentos serão transportados até a comunidade quando a instalação terá início. Com apoio dos moradores, a equipe irá acomodar plataformas em uma casa de madeira – já construída pela Prefeitura de Maraã – para que as máquinas fiquem acima do nível da enchente do rio.
 
Uma segunda equipe irá conduzir a construção da estrutura que recebe o sistema fotovoltaico e instalar os 60 painéis solares. Essa estrutura será semelhante a uma garagem. Após concluídas essas duas etapas, as máquinas serão transportadas do barco até o local aonde irão funcionar. Com a máquina na casa, os técnicos farão as ligações entre os painéis, as máquinas e o quadro elétrico.
 
Simultaneamente, será instalado um sistema de captação de água de chuva, que será tratada e utilizada para a fabricação do gelo. A conclusão desse processo está prevista para o dia 13 de agosto, quando a máquina será ligada e a inauguração prevista para dois dias depois do teste. “Como se trata de um projeto experimental, é necessário que se crie um ambiente onde se possa testar todo o potencial da máquina, principalmente em relação a sua produção diária de gelo em ambiente amazônico”, explicou Ana Claudeise. Uma quarta máquina será instalada na Pousada Flutuante Uacari, também no Amazonas, para monitoramento da equipe.  
 
 
A questão energética na Amazônia
Segundo a pesquisadora, o acesso à energia elétrica é uma condição importante para o desenvolvimento econômico e para melhoria da qualidade de vida dos usuários. “Na região do médio Solimões, estado do Amazonas, o fornecimento de energia elétrica para áreas rurais é feito através de pequenas termelétricas a diesel com alto custo de operação, manutenção e distribuição de combustível, e uma baixa eficiência na produção de energia, em média, quatro horas diária”, afirmou a pesquisadora.
 
Sem gelo, as comunidades não possuem uma forma para conservar alimento para consumo e, muito menos, para comercialização. A comunidade Vila Nova do Amanã, local de instalação da primeira máquina desse tipo na Amazônia, poderá vender pescado para centros urbanos, distantes, em média, 18 horas de viagem por via fluvial. “O resultado é um processo oneroso em tempo e em recurso financeiro, sendo altamente ineficiente e ambientalmente desfavorável, uma vez que a produção de gelo na maior parte da Amazônia é proveniente da geração termoelétrica a diesel”, concluiu.
 
Desafio de Impacto Social Google | Brasil
Em 2014, uma das maiores empresas de busca na Internet do mundo, o Google, promoveu no Brasil o Desafio de Impacto Social Google | Brasil. A iniciativa teve por objetivo apoiar organizações não governamentais que estão trabalhando para solucionar problemas sociais e gerar impacto por meio da tecnologia. Foram 751 projetos inscritos e o Instituto Mamirauá ficou entre os 10 finalistas, com o projeto "Gelo Solar: tecnologia para conservação de alimentos em comunidades isoladas da Amazônia". Pela importância e relevância dos finalistas, o Google concedeu uma premiação de 500 mil reais para cada um deles. Com esse recurso, o Instituto Mamirauá vem executando parte do projeto "Gelo Solar".
 
Texto: Eunice Venturi
 

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