Muniz, mediador de conflitos

Publicado em: 17 de novembro de 2017

Conhecer e levar conhecimento. Essa foi a motivação do agente ambiental voluntário Muniz Correia Torga, ao aceitar um convite da comunidade Vila Soares, na Reserva Mamirauá, para participar de um curso. O ano era 1999, e a capacitação foi promovida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), quando o órgão federal ainda gerenciava a iniciativa, extinto em 2013. Antes, porém, o Governo do Estado do Amazonas, por meio do Departamento de Mudanças Climáticas e Unidades de Conservação (Demuc), criou um programa semelhante. “A minha preocupação, principalmente quando eu fiz o curso, foi mais para levar esse conhecimento. Eu não queria que ele ficasse só comigo. Eu queria tirar as dúvidas das comunidades também, que são principalmente de leis ambientais. Quando a gente faz as coisas certas, a gente não compromete o futuro e até mesmo o presente”, argumenta o líder comunitário.

Depois de um tempo, Muniz observou que juntar as qualidades de um agente ambiental e de um líder comunitário ajudava na mediação de conflitos: “Acredito que, de um tempo para cá, o trabalho do agente ambiental mudou muito. O agente capacitado faz mesmo um trabalho de educação ambiental, de informação. É mais uma ferramenta para a comunidade, ter essa pessoa, que acaba mediando os conflitos nas comunidades. Ele media os conflitos porque está preparado para isso. Depois, a comunidade pode ver que os agentes estão ali para mostrar o caminho, para a comunidade se organizar melhor, para ter mais qualidade de vida”. Segundo Muniz, um bom requisito para ser agente ambiental é conhecer as leis. Ele, inclusive, enfatiza seu conhecimento sobre várias delas, além da lei ambiental, do código penal e da Lei Maria da Penha. “Para que a gente saiba responder alguma pergunta que as pessoas fazem pra gente”, enfatiza.

Nos últimos tempos, a falta de fiscalização nas unidades de conservação do Médio Solimões estimulou os agentes ambientais voluntários a buscar o diálogo com as instituições públicas. Em 2017, os agentes, beneficiados pelo Projeto BioREC, iniciaram um ciclo de reuniões em Manaus. “Onde nós batíamos na porta, eles abriram pra gente. Assim levamos nossas demandas. A resposta foi de que eles vão sim abraçar a causa. Agora, a gente já sabe onde bater. Fomos bem acolhidos e respeitados, principalmente dentro do Ministério Público Federal”.

Para Muniz, tudo isso serve para realizar um sonho, um sonho pessoal de beneficiar os moradores da Reserva Mamirauá: “O meu sonho é todo mundo viver bem nas comunidades, viver tranquilo mesmo”.

Texto originalmente produzido para o livro “Protagonistas: relatos de conservação do Oeste da Amazônia”, que pode ser baixado em mamiraua.org.br/protagonistas. Desenvolvido no âmbito do projeto “Mamirauá: Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade em Unidades de Conservação” (BioREC) e conta com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Texto  Eunice Venturi

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