Morador da Reserva Mamirauá conhece a natureza como a palma da mão

Publicado em: 27 de novembro de 2017

Erivan Lima de Castro, ou “Neguinho” como é conhecido, é assistente de campo de vários pesquisadores do Instituto Mamirauá. Já auxiliou as pesquisas que subsidiaram o manejo de pirarucu, os estudos sobre primatas e, mais recentemente, as pesquisas em ecologia florestal do Projeto BioREC. Neguinho mora na comunidade Jarauá, na Reserva Mamirauá, desde que nasceu. De tanto acompanhar o pai em atividades na floresta, tornou-se um especialista no reconhecimento de espécies florestais. Ele não sabe ao certo quantas espécies conhece, mas ressalta: “Ainda não contei não, mas não é pouca. Andava com meu pai na floresta e ia perguntando. O nome que o papai dizia, eu gravava, observando a madeira”.  Esse é um dos motivos pelos quais ele também ajudou nos inventários florísticos realizados pelo Grupo de Pesquisa em Ecologia Florestal do Instituto Mamirauá, identificando as espécies.
 
Neguinho também participou de atividades de campo que tiveram como objetivo avaliar a ciclagem de nutrientes da floresta para o solo. Para o monitoramento da quantidade de matéria orgânica absorvida pelo ambiente, foram instaladas 240 bolsas preenchidas com folhas no período seco e mais 300 bolsas no período de cheia que foram deixadas em pontos específicos da floresta, recolhidas e monitoradas em determinados períodos. Um dos objetivos é comparar a velocidade de decomposição nos períodos de seca e cheia amazônicas.
 
O assistente de campo ajudou a pesquisadora Fabiana Oliveira a adaptar a melhor forma para o experimento de decomposição no período de cheia. As metodologias disponíveis para esse tipo de trabalho apresentam métodos que funcionam em terra firme, mas para a várzea precisou receber adaptações. Como o ambiente ficaria alagado, foi demandado o auxílio de um tubo de PVC para prender as bolsas e, assim, conseguir puxá-las e fazer com elas voltassem a ficar em contato com o solo a cada período de retirada. Neguinho sugeriu fazer uma argola na base do cano onde passava a corda prendendo as bolsas. Sem essa argola, seria necessário utilizar chumbo para que as bolsas fossem para o fundo e ficassem em contato com o solo.
 
Como quem aprendeu a conhecer a floresta com o pai, ele vem se esforçando para passar os conhecimentos ao filho mais velho: “Muita gente diz: ‘ah neguinho, leva teu filho para ir aprendendo, que no futuro é ele que vai ficar’. Quando eu tiver mais velho, é ele que vai me substituir. Então, ele sempre anda comigo. Quando eu vou para as trilhas, eu levo ele para ir aprendendo”, descreve orgulhoso.
 
Texto originalmente produzido para o livro “Protagonistas: relatos de conservação do Oeste da Amazônia”, que pode ser baixado em mamiraua.org.br/protagonistas. Desenvolvido no âmbito do projeto “Mamirauá: Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade em Unidades de Conservação” (BioREC) e conta com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
 
Texto: Eunice Venturi

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