Mesa-redonda aborda estratégias para fortalecimento de serviços ambientais

Publicado em:  8 de julho de 2016

Incrementar a renda e melhorar as condições de vida de populações que vivem em regiões com baixos índices de desenvolvimento humano, por meio de políticas públicas de conservação do meio ambiente e dos recursos biológicos. Esta foi uma das propostas discutidas durante a mesa-redonda “Revisitando o papel da ciência na evolução de políticas ambientais”, durante a 68ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Porto Seguro (BA). A discussão foi moderada por Rute Andrade, da Fundação Homem Americano, e os palestrantes foram: Carlos Alfredo Joly, da Unicamp, Fábio Scarano, da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, e Helder Lima de Queiroz, diretor geral do Instituto Mamirauá.
 
A primeira palestra foi conduzida por Carlos Alfredo Jolly que apresentou as ações da Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, sigla em inglês), da Organização das Nações Unidas (ONU). Criado em 2012 e atualmente com 125 países membros, o IPBES tem a missão de reforçar a interface ciência-política de biodiversidade e serviços ambientais para a conservação e uso sustentável. “Nossa estratégia é produzir uma base científica para tomada de decisão, desenvolvendo ferramentas para essas decisões, fazendo com que a gestão dos serviços ecossistêmicos seja mais eficiente”,reforçou Jolly. Destaca-se na atuação do IPBES uma determinação explícita em incluir o conhecimento das populações locais nos diagnósticos para suporte da formulação de políticas públicas em todas as nações que aderiram à plataforma.
 
Em seguida, Fábio Scarano apresentou o status do diagnóstico sobre a biodiversidade do Brasil e serviços ecossistêmicos que deve ser divulgado em 2018. “Já estamos em vias de divulgar um primeiro produto, que é um informe técnico. O objetivo desse painel é que a gente possa ajudar a sociedade brasileira a se posicionar sobre a conservação sustentável dos recursos naturais e serviços ecossistêmicos como um modelo de desenvolvimento para o país”, afirmou. Segundo Fábio, os municípios mais pobres do Brasil são também os municípios com maior cobertura vegetal, a exemplo da Amazônia e da Caatinga. “Esse tipo de relação não está bem resolvida e nós temos aí uma oportunidade de reduzir a pobreza a partir do uso sustentável dos recursos naturais, elevando o status de conservação dessas áreas”, alertou Fábio. 
 
Por último, Helder Lima de Queiroz apresentou o trabalho desenvolvido pelo Instituto Mamirauá e a forma pela qual as políticas ambientais inclusivas e participativas foram implementadas na Amazônia pelo Instituto. Na mesa-redonda foi um exemplo de instrumento de política ambiental e um estudo de caso que promove a conservação dos recursos naturais com manejo florestal e de recursos pesqueiros, dentre outros. “Nós atuamos na calha do Rio Solimões – Amazonas porque a região concentra cerca de 60% da população da Amazônia”.  E é uma população que depende de atividades extrativistas. “Apenas 0,5% do PIB nacional vem de atividades extrativas, mas nos estados da Amazônia isso varia entre 3,6 e 15,3%”, comparou Helder. Esses vários locais onde o Instituto Mamirauá atua são aqueles em que as demandas por manejo de recursos naturais são mais altas e ocorrem exatamente nas áreas onde vive a população mais carente da região, dentre os menores índices de desenvolvimento humano do país.
 
Texto: Eunice Venturi
 

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