Manejo para a sustentabilidade da floresta

Publicado em: 18 de Janeiro de 2016

Desde a implantação do Manejo Florestal Comunitário na Reserva Mamirauá, há quase 20 anos, pesquisas científicas são realizadas para monitorar o desenvolvimento da atividade e garantir sua eficiência, gerando uma alternativa de renda para a população local, sem o esgotamento do recurso. O Instituto Mamirauá presta assessoria técnica para as associações, com intuito de contribuir para a realização da atividade na região.

“Sempre, na exploração, está vinculado algum tipo de impacto. O que tentamos realizar, adotando as práticas de manejo sustentado é diminuir ao máximo esse impacto à floresta em pequeno, médio e longo prazo”, afirmou Claudio Anholetto, técnico em Manejo Florestal no Instituto Mamirauá.

O manejo na região é classificado como “de impacto reduzido”, por utilizar técnicas que minimizam os danos à floresta, como a retirada da madeira pelos corpos d´água, no lugar da abertura de estradas e pátios para estocagem da madeira, a queda direcionada das árvores e adoção de técnicas silviculturais, e a ausência de grandes máquinas, como tratores.

O manejo é realizado na Reserva desde 1996 pelos moradores da área, com o apoio e assessoria técnica do Instituto Mamirauá. Esse trabalho conjunto foi possível tendo como base os resultados das pesquisas científicas realizadas desde 1993 na região. Esses estudos monitoraram as atividades de extração de madeira tradicionalmente executadas pelos comunitários, considerando características biológicas e socioeconômicas. Outra parte dos estudos foi mapear a cobertura vegetal e realizar o inventário para conhecimento das populações e distribuição das espécies madeireiras na Reserva.

Em 1998, foram iniciadas as capacitações para a implantação do manejo e o mapeamento participativo no primeiro setor em que seria realizado, delimitando as áreas para o primeiro ano de manejo florestal.

Embora as legislações que orientam a exploração do recurso florestal madeireiro existam desde a década de 1960, a regulamentação da atividade na Amazônia é recente. O manejo florestal comunitário só passou a ser reconhecido em 1998, por meio de um decreto do Ibama. Já a instrução normativa que regulamenta o manejo em ecossistema de várzea foi publicada em 2010, a partir dos resultados das pesquisas realizadas pelo Instituto Mamirauá, em convênio de pesquisa junto ao Projeto Max Planck do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Claudio ressaltou que, antes da publicação da instrução normativa, a legislação vigente não atendia as especificidades do manejo florestal em ambiente de várzea. “Couberam muito bem essas pesquisas previamente realizadas, que demonstraram como funcionava a dinâmica do ambiente de várzea e como as espécies locais crescem de maneira diferente das espécies de outras áreas do estado. Elas têm características diferentes, bem como sua exploração é realizada de maneira distinta. Então, não tinha porquê a legislação que regia a exploração dentro da Reserva ser a mesma que rege a exploração em ambiente de terra firme”, afirmou.

São muitas etapas para a realização do manejo. Entre elas, está o treinamento das equipes que participam do manejo, o zoneamento da área e mapeamento participativo, o levantamento de estoque, o licenciamento ambiental, concedido pelo Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam), a exploração, até que seja realizada a comercialização, que deve seguir os princípios básicos estabelecidos na legislação.

E depois que é feita a exploração?

Foto: Everson Tavares

As áreas onde o manejo é realizado também são monitoradas pelos pesquisadores. No Instituto Mamirauá, o Grupo de Pesquisas em Ecologia Florestal busca caracterizar os diferentes ambientes de várzea quanto a sua composição florística e estrutura da floresta, entre outros pontos, como destacou a pesquisadora Mariana Ferreira. “A análise destes parâmetros permite aos pesquisadores dizer qual o grau de preservação dos ambientes. E como a floresta responde, em qualidade e quantidade, aos ciclos de cheia e seca dos rios e assim pensar em estratégias que contribuam para minimizar os impactos gerados no manejo madeireiro”. Essas ações são financiadas pelo Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES.

Texto: Amanda Lelis

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