Manejo de pirarucu resulta na pesca de 615 toneladas de peixe em 2015

Publicado em: 26 de fevereiro de 2016

A pesca manejada de pirarucu, nas áreas assessoradas pelo Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, superou a marca de 615 toneladas de peixe. A informação sobre os resultados do manejo da espécie consta no relatório que será entregue ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na próxima segunda-feira, dia 29 de fevereiro, em Manaus (AM). A quota autorizada para o manejo nas Reservas Mamirauá e Amanã e entorno foi de 12.675 peixes. Desses, foram capturados 11.216 pirarucus, totalizando 615.201 kg, o que representou 88,5% da quota.  
 
Do volume total de produção, 585.124 kg foram comercializados, sendo 87,9% na condição de peixe inteiro eviscerado (IE) e 12,1% em manta fresca (MF). A média de peso dos pirarucus capturados foi de 54,8 kg e a média do comprimento foi de 181,6 cm. A maior parte da produção (70,1%) foi comercializada para o mercado regional (Manaus, Manacapuru e Iranduba), 24,4 % para o mercado local (Tefé, Alvarães e Maraã) e 5,5% para o mercado nacional (Santarém e Belém). O preço médio pago pelo quilo do peixe foi de R$ 4,36, que resultou em R$ 2.553.097,30 de faturamento total bruto, proporcionando ao pescador faturamento bruto médio de R$ 1.814,57. Em comparação ao ano anterior, houve uma queda no preço médio pago pelo quilo do pirarucu, de R$ 5,38 para R$ 4,36. 
 
“A crise financeira também chegou ao setor pesqueiro, houve menos procura pelo peixe e, até mesmo quem comprou, adquiriu uma quantidade menor que nos outros anos. Grupos de manejo, que complementam sua renda com os produtos da agricultura, também falam da dificuldade de vender seus produtos na feira, o que significa que está faltando dinheiro. Além disso, alguns fatores já recorrentes como a concorrência com o pirarucu ilegal, pela ausência de fiscalização, e a concentração da produção do manejo em um curto período de tempo também contribuíram para isso”, analisou Ana Cláudia Torres, coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá. 
 
Em 2015, a pesca ocorreu em nove dos 11 sistemas assessorados pelo Programa de Manejo de Pesca, envolvendo 30 das 40 comunidades assistidas, além dos grupos de pescadores das colônias e sindicatos de pescadores, beneficiando diretamente 1.407 pessoas. A assessoria técnica estendeu-se a 40 comunidades ribeirinhas de sete setores das Reservas de Desenvolvimento Sustentável Amanã e Mamirauá, um setor no entorno, três colônias e um sindicato de pescadores dos municípios vizinhos (Tefé, Alvarães e Maraã) totalizando 1.569 pescadores dos quais 566 foram capacitados para o uso adequado dos recursos pesqueiros.
 
“Na avaliação anual das atividades, novas estratégias foram acordadas para a melhoria do sistema em 2016, reafirmando o compromisso conjunto de técnicos e manejadores para a conservação dos recursos pesqueiros nos sistemas de lagos utilizados, para consequente melhoria da qualidade de vida do pescador e de sua família”, disse Ana. 
 
Edição: Eunice Venturi

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