Manaus vai sediar reunião da Sociedade de Arqueologia Brasileira a partir deste domingo (2)

Publicado em: 30 de novembro de 2018

O Instituto Mamirauá é um dos realizadores do evento, que reunirá centenas de especialistas para discutir os rumos da arqueologia na Amazônia

Durante sete dias, Manaus será a capital da arqueologia no Norte do país. A Reunião da Regional Norte da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB Norte) começa neste domingo (2) e segue até o dia 8 de dezembro no Palacete Provincial, localizado na Praça Heliodoro Balbi, centro da cidade. Na programação, apresentações de trabalhos, fóruns, palestras e mesas redondas que vão mostrar um panorama atual da arqueologia feita na Amazônia. O evento é aberto ao público em geral.

“Esperamos que o público de Manaus esteja lá em peso, independentemente de ser acadêmico, cientista ou não” reforça Márjorie Lima, pesquisadora associada do Instituto Mamirauá, doutoranda do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP e uma das organizadoras da reunião. “Vai ser muito bom ter a sociedade no evento, porque é uma discussão que não diz respeito apenas à arqueologia ou ao patrimônio, mas faz parte de toda a história de longa duração construída na Amazônia”.

É a primeira vez que Manaus sedia a SAB Norte, que acontece em regime bienal e é um dos principais eventos em arqueologia amazônica no Brasil. “Manaus foi escolhida porque a cidade tem uma relevância arqueológica reconhecida e também uma importância histórica para a região”, afirma a arqueóloga.

Diversidade

Mais de 200 participantes já estão confirmados para essa edição, entre arqueólogos e especialistas de áreas afins, membros de comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas.

Com o tema “Apropriações do passado: o futuro do passado na região Norte do Brasil”, o evento propõe um olhar amplo sobre questões como patrimônio, direitos sociais e modelos de desenvolvimento para a Amazônia em um diálogo entre o passado, o presente e o futuro da região, em que tenham voz não somente os pesquisadores, mas também órgãos do governo e a sociedade civil.

“É um evento científico, mas, ao mesmo tempo que não se fecha dentro da academia, dos muros. A ideia é que seja um congresso bem aberto e que traga a realidade, a perspectiva, a visão de povos e comunidades tradicionais, incluindo os indígenas, quilombolas, ribeirinhos”, informa Márjorie Lima.

“Arqueologia não é falar só do que é material, palpável, é também falar de pessoas, de como essas pessoas viviam e de como as pessoas do presente lidam com os legados do passado. É olhar para muitas direções. Eu acredito que cada vez mais a gente tem discussões que são bastante amplas, a arqueologia da Amazônia tem se transformando bastante nesse sentido, nessa autorreflexão”, completa a pesquisadora do Instituto Mamirauá.

Amazônia brasileira representada na programação

Nessa edição do evento, cerca de 130 trabalhos serão apresentados em diversas categorias, entre elas comunicações orais, grupos temáticos e exposições audiovisuais. A arqueologia desenvolvida em diferentes partes da região amazônica vai estar presente, como pesquisas feitas no Acre, no Alto Rio Madeira, em Rondônia, e na Amazônia Oriental (a exemplo do Pará e do Amapá).

Gastronomia amazônica em debate

O SAB Norte também terá oito simpósios, promovendo conversas entre a Arqueologia e outras áreas do conhecimento, como a Botânica, Zoologia e até Gastronomia. É o caso do simpósio “Encontro entre saberes e sabores: diálogos entre Arqueologia, Culinária e Gastronomia”.

“A proposta é reunir arqueólogos/as, conhecedoras/es da culinária tradicional amazônica e chefes de cozinha para experimentar um encontro através dos tempos, entre pessoas, plantas, animais, tecnologias, temperos, modos de consumo e tudo o que envolve o mundo culinário”, informa a organização do SAB Norte.

“Vai ser uma discussão do que é a gastronomia e como esses ingredientes que a gente vê e discute hoje como elementos ou heranças do passado, como a pupunha e o açaí e outros tantos exemplos

ão usados de maneira imemorial”, ressalta Márjorie Lima.

Participam desse simpósio os arqueólogos Eduardo Neves e Leonardo Viana; Donza Brazi Baré, indígena e autora do livro “Culinária Tradicional Amazônica”; Roberto Smeraldi, vice-presidente do Instituto ATÁ; e os chefs de cozinha Débora Shornik, do restaurante Caxiri, e Hiroya Takano, do Shin Suzuran.

Como participar

As inscrições para ouvintes estarão abertas durante todos os dias do SAB Norte e podem ser feitas no salão de entrada do Palacete Provincial. Estudantes de ensino médio e membros de comunidades tradicionais têm entrada gratuita. Confira a tabela de preços para inscrição no site do evento.

A Reunião da Regional Norte da Sociedade de Arqueologia Brasileira é uma realização do Museu da Amazônia (MUSA), Laboratório de Arqueologia dos Trópicos e do Instituto Mamirauá. O evento tem patrocínio do IPHAN e tem apoio da Prefeitura de Manaus, da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) e da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

Texto: João Cunha

 

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