Mamadeira para peixe-boi é apresentada em conferência nos EUA

Publicado em: 12 de dezembro de 2011

12/12/2011 - Reabilitar um animal silvestre, acostumado ao cativeiro, para o retorno ao habitat natural é uma tarefa que exige cuidados minuciosos de veterinários e biólogos. Este é um desafio enfrentado diariamente pelos profissionais que atuam no Centro de Reabilitação de Peixe-Boi Amazônico (o Centrinho), localizado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, no município de Maraã, estado do Amazonas. Com uma boa dose de criatividade, um estudante de medicina veterinária criou uma mamadeira que permite que os filhotes de peixe-boi mamem debaixo d’água, facilitando o processo de reabilitação dos animais.
 

Com uma garrafa pet, conexões de PVC e um bico de borracha, o estudante Augusto Bôaviagem desenvolveu a mamadeira subaquática durante o período em que estagiou no Centro de Reabilitação na RDS Amanã, entre dezembro de 2009 e agosto de 2010. A invenção do estudante foi apresentada a cientistas de vários países, que se reuniram na cidade de Tampa (Florida, EUA) durante a 19ª Conferência Bienal sobre Biologia de Mamíferos Aquáticos, realizada entre 26 de novembro e 2 de dezembro.
Augusto cursa o 9° período de medicina veterinária na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e, atualmente, é pesquisador associado do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA/ICMBio) em Itamaracá, litoral norte de Pernambuco, onde a mamadeira foi adotada no trato de peixes-boi marinhos.
 

A mamadeira subaquática tem a vantagem de evitar o contato direto do tratador com o animal. Durante o processo de reabilitação dos peixes-boi, o contato com os tratadores representa uma dupla desvantagem: se um animal recebe a mamadeira diretamente das mãos dos tratadores, pode criar uma perigosa relação de afeto com humanos, eliminando o instinto de defesa contra prováveis caçadores. O outro ponto negativo é o contato com microorganismos presentes na pele do tratador, que podem causar doenças nos peixes-boi.
 

 “Logo quando chegam ao Centro de Reabilitação, os animais são muito estressados e têm rejeição à presença humana. É exatamente esse comportamento que buscamos com os animais já reabilitados. O problema é que, com o velho aleitamento, com a mamadeira comum, o animal se acostuma com a presença humana, cria amizade associando a figura humana a coisa boa, alimento. Tínhamos que mudar isso”, argumenta o inventor da mamadeira subaquática.
A patente do equipamento já foi requerida pelo estudante. Além do Centrinho na Reserva Amanã e do CMA de Itamaracá, outras duas instituições já manifestaram interesse em utilizar a mamadeira subaquática, uma no Ceará, outra no Amazonas.

 

Projeto para a conservação de espécies amazônicas


O Centro de Reabilitação de Peixe-Boi Amazônico é mantido pelo Instituto Mamirauá, Organização Social que partilha com o Governo do Amazonas a gestão das Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã.
Considerado como ameaçado de extinção, o peixe-boi amazônico é uma das espécies-alvo do projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert), desenvolvido pelo Instituto Mamirauá e patrocinado pela Petrobras, por meio do Programa Petrobras Ambiental. O projeto visa propor novas ações e consolidar estratégias de conservação para grandes vertebrados, como as espécies de jacarés e quelônios que habitam as várzeas e igapós das reservas Amanã e Mamirauá, na região do Médio Solimões, no Amazonas.

 

Para saber mais sobre o projeto Aquavert, acesse: www.mamiraua.org.br/aquavert

Texto: Augusto Rodrigues

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