Intercâmbio de pesca: paraenses conhecem o manejo do pirarucu no Amazonas

Publicado em: 13 de novembro de 2017

Pescadores, agricultores e técnicos que atuam na região de Santarém (PA) visitaram grupos de manejo de pesca assessorados pelo Instituto Mamirauá, na região do médio Solimões.

Disputas intensas de território. Projetos de construção de hidrelétricas. Avanço do agronegócio. Desmatamento. São várias as ameaças aos modos de vida dos povos tradicionais no oeste do estado do Pará. Buscando pôr em prática métodos eficientes de resistência e sustentabilidade, um grupo de moradores da região fez um intercâmbio em áreas do Amazonas onde o manejo do pirarucu é realizado.

A visita técnica aconteceu entre os dias 16 e 19 de outubro e incluiu três Acordos de Pesca: Pantaleão, Paranã Velho e Capivara. Os Acordos de Pesca são associações de pescadoras e pescadores que realizam juntos o manejo de pirarucu, peixe muito popular das águas amazônicas. A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, uma área protegida com mais de 2 milhões de hectares no Médio Solimões, é o lar das associações, que fazem o manejo de pesca há mais de 18 anos.

O manejo tem assessoria técnica do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Na companhia dos técnicos do Programa de Manejo de Pesca, os visitantes conheceram o trabalho de conservação de recursos pesqueiros, visitando os lagos e partes do rio onde o manejo é realizado, observando o monitoramento e pré-beneficiamento do pirarucu e conversando com os manejadores do lugar.

José Lair foi um dos participantes do intercâmbio. Morador do Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Lago Grande, no Pará, ele disse que a experiência com o manejo de pesca assessorado pelo Instituto Mamirauá. “O que mais me chamou atenção foi a forma de organização das famílias, com o envolvimento das mulheres e os jovens nas atividades”, afirmou. “Pretendo compartilhar esse conhecimento com outras comunidades, pois também temos uma diversidade de lagos, rios e peixes, mas precisamos fazer um trabalho forte para garantir o sustento das nossas famílias no futuro, porque a pesca ilegal na nossa região aumenta a cada dia.”

Parceria

O intercâmbio foi uma parceria entre o Instituto Mamirauá, o programa da FASE na Amazônia, o Fundo Dema e a Fundação Ford. O educador popular do programa FASE na Amazônia, Samis Vieira, explicou que o objetivo da atividade foi “contribuir para que lideranças comunitárias e coordenadores de projetos apoiados pelo Fundo conheçam dinâmicas territoriais diferentes da sua realidade, proporcionando a troca de experiência e a construção de novos conhecimentos como estratégia de resistência para garantir a reprodução social das famílias frente ao processo de desterritorialização. ”

Texto: João Cunha

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