Instituto Mamirauá: seleção de bolsas de pesquisa em ecologia de onças-pintadas na Amazônia

Publicado em:  9 de fevereiro de 2019

Entre as 19 bolsas ofertadas pela Chamada Pública nº 01/2019, vinculadas a projetos de pesquisas nas diversas áreas de atuação do instituto, três são direcionadas para a pesquisa com felinos em reservas da Amazônia Central

As onças que habitam a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, comportam-se de forma um tanto peculiar. Essa área é quase inteiramente coberta por florestas alagáveis, as várzeas amazônicas, o que implica na necessidade de adaptações extremas para a fauna e flora locais. No período da cheia, quando o nível da água pode cobrir árvores e deixar a maior parte da reserva totalmente embaixo da água, as onças optam por viver seus dias em cima das árvores, onde caçam, comem, dormem, reproduzem e criam seus filhotes.

O Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), está à procura de três pesquisadores para estudar o comportamento desses felinos e a relação deles com o meio que os cerca. As bolsas variam de R$ 2.860 a R$ 5.200, com duração de até cinco anos.

A seleção faz parte da Chamada Pública nº01/2019, que abre vagas para 19 novos bolsistas do Programa de Capacitação Institucional (PCI) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Para concorrer às três bolsas direcionadas ao Grupo de Pesquisa Ecologia e Conservação de Felinos na Amazônia (GP Felinos), o candidato deve ter mestrado em Biologia ou áreas afins, ou então em Estatística/Matemática aplicada à área de Ciências Biológicas ou áreas afins, e atender aos requisitos específicos de cada projeto de pesquisa.

Para participar do processo seletivo, os candidatos devem ler a chamada (clicando aqui) e enviar seus currículos e propostas para o e-mail chamadapublica.pci@mamiraua.org.br até o dia 18 de fevereiro.

© Amanda Lelis

A importância das bolsas PCI

Para o diretor Técnico-Científico do Instituto Mamirauá, Emiliano Esterci Ramalho, o programa de bolsas é fundamental para compor o quadro de pesquisadores, não só do Instituto Mamirauá, mas das diversas instituições que recebem bolsistas PCI.

“O programa permite que as instituições recebam pessoas capacitadas para trabalhar em áreas para as quais não temos pessoal suficiente. Esse tipo de bolsa é fundamental para todas as instituições de pesquisa do país”, afirma.

Além de biólogos, a Chamada Pública nº01/2019 procura pesquisadores de diversas formações, entre elas Veterinária, Agronomia, Geografia, Arqueologia, Química, Ecologia, Botânica, Ciências Florestais, Engenharia (Florestal, Sanitária, Elétrica ou Ambiental), Gestão de Políticas Públicas, Economia e áreas afins.

“Além da importância institucional, o programa tem uma importância nacional: os pesquisadores que trabalham como bolsistas PCI nas instituições ganham qualidade técnica, têm experiências em locais e instituições importantes, como o Instituto Mamirauá. Aqui, o bolsista vai se desenvolver e aprender a conviver com o ambiente da Amazônia. O programa capacita pessoas para regiões e temáticas fundamentais para o desenvolvimento do país. ”

Conservação da onça é chave para a biodiversidade da Amazônia

A onça-pintada é um animal de extrema importância para a conservação de toda a fauna e flora amazônicas. Segundo Emiliano Ramalho, que também é líder do GP Felinos, a espécie funciona como um ‘guarda-chuva’ para a Amazônia. “Por precisar de áreas amplas e ser carismática, a conservação da onça permite a de outras espécies também. Se você preservar uma área apenas preocupado com a onça-pintada, você necessariamente estará preservando várias outras espécies daquela região. ”

Os selecionados para trabalhar com o grupo de pesquisa de felinos executarão um dos seguintes projetos de pesquisa do instituto: “Dinâmica da comunidade de mamíferos de grande e médio porte nas Reservas Mamirauá e Amanã”; “Ecologia do Movimento de Felinos na Amazônia” e “Dimensões Humanas do conflito entre seres humanos e felinos na Amazônia”.

“Os bolsistas são fundamentais para o funcionamento dos grupos de pesquisa do instituto. Temos a preocupação de que desenvolvam seus próprios projetos e aprendam com a convivência do grupo. Isso gera um ganho muito grande para o pesquisador e para a instituição, porque o esforço feito para capacitar essas pessoas retorna com as suas contribuições para o instituto. E mesmo que elas não continuarem aqui no futuro vão estar fazendo ciência bem-feita em outros lugares”, ressalta o pesquisador.

Texto: Bernardo Oliveira

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