Instituto Mamirauá vai apresentar tecnologias sustentáveis de saneamento no 8º Fórum Mundial da Água

Publicado em: 21 de março de 2018

Tecnologias são adaptadas aos desafios das florestas alagáveis da Amazônia

Água em abundância não é sinônimo de qualidade na Amazônia brasileira. Cerca de 70% da água disponível no país está na região Norte, convivendo com um alto déficit de atendimento aos serviços básicos de saneamento. As florestas alagáveis, conhecidas como várzeas, são especialmente desafiadoras para o tratamento e distribuição de água. Pesquisador do Instituto Mamirauá, João Paulo Borges Pedro vai apresentar tecnologias aplicadas no enfrentamento desses problemas durante o 8 º Fórum Mundial da Água, que começou nesse domingo (18), em Brasília.

O fórum

Realizado a cada três anos, o fórum é o maior evento global sobre recursos hídricos. Por volta de 40 mil pessoas são esperadas para essa edição, entre membros da sociedade civil, pesquisadores e especialistas no tema. Experiente em estudos de qualidade e  experimentação de tecnologias de tratamento em áreas alagáveis da Amazônia, o  Instituto Mamirauá participa do debate "Acesso sustentável a saneamento em regiões de florestas tropicais", a ser realizado na próxima quinta-feira, a partir das 11 horas (horário local).

A várzea amazônica e o saneamento de água

Sob influência do regime das águas, de estações secas às cheias, as várzeas são um dos ambientes mais complexos da Amazônia. Fauna, flora e populações humanas se adaptaram ao longo de muitos anos para viver nessas condições mutáveis que, por vezes, se impõem como desafios ao saneamento da água.

De acordo com João Paulo Borges Pedro, esses desafios são as "residências flutuantes, que demandam soluções tecnológicas para suprir a família com esgotamento sanitário adequado; o próprio ambiente de várzea, que dificulta a implementação de tecnologias convencionais de tratamento de esgoto, considerando a amplitude de alagamento; e a dinâmica de mobilidade das comunidades, que de tempos em tempos são forçadas a mudarem de localidade por conta do fenômeno das terras caídas ", diz, se referindo aos deslizamentos de terra que costumam ocorrer na época de seca dos rios.

No Fórum Mundial da Água, o pesquisador mostrará três casos de tecnologias viáveis de saneamento: os sanitários secos com separação de urina, a fossa filtro flutuante e o tanque séptico duplo com filtro biológico de plantas, todos eles sustentáveis e implementados pelo Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

João Paulo, que faz parte do Grupo de Pesquisa em Inovação, Desenvolvimento e Adaptação de Tecnologias Sustentáveis do Instituto Mamirauá, afirma que "não há soluções únicas e definitivas para o esgotamento em comunidades de várzea e que é necessário compreender o contexto ambiental e social de cada localidade, dar voz aos moradores locais, e um comprometimento sério do poder público para encarar este desafio".

O 8º Fórum Mundial da Água segue até o dia 23 de março, sexta-feira, na Asa Sul, em Brasília. Confira aqui a programação completa.

 

Texto: João Cunha

Últimas Notícias

Comentários

Receba as novidade em seu e-mail: