Instituto Mamirauá tem resultados de pesquisas apresentados em congressos latino-americanos

Publicado em:  9 de dezembro de 2014

Pesquisadores do Instituto Mamirauá participaram do “IV Congresso Colombiano de Zoologia”, realizado de um a cinco de dezembro em Cartagena, na Colômbia. Com o slogan “La biodiversidad sensible, un patrimonio natural irreemplazable”, o evento reuniu cerca de três mil especialistas de diversas áreas para seminários, palestras e fóruns em torno de diferentes temas sobre diversidade animal e novos enfoques para o manejo e conservação de espécies.

Como parte da programação do Congresso, aconteceu também o Congresso Latino-americano  de Herpetologia e a décima edição do Congresso da Sociedade Latino-americana de Especialistas em Mamíferos Aquáticos (Solamac). Nessa edição, o Congresso foi realizado no Centro de Convenções Cartagena de Indias.

A participação no evento permite o compartilhamento e difusão das pesquisas realizadas pelo Instituto Mamirauá, além de possibilitar a troca de informações e potenciais constituições de parcerias e redes de conhecimento. Oito pesquisadores do Instituto Mamirauá participaram do Congresso apresentando projetos de pesquisa. Entre os projetos apresentados estão as pesquisas para estimativa de densidade de golfinhos fluviais Inia araguaiaensis e Sotalia fluviatilis no rio Tocantins, e no rio Japurá-Caquetá, bacia do Amazonas.

As pesquisas do Instituto Mamirauá com peixe-boi amazônico também foram apresentadas. Entre os assuntos, a caça de peixe-boi na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã e a comparação de dois diferentes programas nutricionais de aleitamento artificial em filhotes de peixes-boi amazônicos.

Camila Carvalho, pesquisadora do Instituto, considerou importante participar do seminário de conservação de peixe-boi, parte da programação do evento. “Vimos que outras instituições já desenvolveram métodos para contagem de peixe-boi. E estão conseguindo fazer uma estimativa populacional, um dado importante para estimar o status da espécie, se está ou não ameaçada. Algo que ainda não conseguimos desenvolver aqui”, relatou.

A pesquisadora Thais Morcatty apresentou estudo de comparação de metodologias para captura de jabutis na Amazônia. Por ser uma espécie com grande ocorrência de caça e também pelos impactos de perda de habitat, o jabuti amazônico é classificado como vulnerável à extinção pela lista vermelha da International Union for Conservation of Nature (IUCN).  Para a pesquisadora, "o evento permite estabelecer parcerias, que já estão surgindo. Alguns pesquisadores que estavam no evento já tentaram estudar os jabutis, mas não conseguiram por dificuldades  de detecção do animal. A partir de agora, eu estou os auxiliando para que possam aplicar a metodologia desenvolvida por mim e João Valsecchi, juntamente com os ribeirinhos da Reserva Amanã, em seus estudos na Colômbia e em outros países com essas espécies de Quelônios terrestres ameaçadas de extinção. O impacto da minha apresentação para a conservação dos Quelônios terrestres foi muito grande". 

Outro trabalho apresentado foi o da pesquisadora Ana Júlia Lenz, sobre as experiências de monitoramento de quelônios aquáticos na região do Médio Solimões (AM). Três linhas de pesquisa estão inseridas no Programa de Pesquisa em Conservação e Manejo de Quelônios: ecologia reprodutiva, monitoramento populacional e conservação comunitária. As pesquisas são realizadas com foco em três espécies, as Tartarugas-da-Amazônia, Tracajás e Iaçás, afim de avaliar o status populacional desses animais na Reserva Mamirauá e também caracterizar aspectos da sua ecologia reprodutiva. Além dessas pesquisas, o Instituto também trabalha junto às comunidades ribeirinhas, incentivando a conservação comunitária das áreas de desova dessas espécies.

“Através da participação no evento pudemos compartilhar as experiências do Instituto Mamirauá e criar e fortalecer laços com pesquisadores de diversas instituições da América Latina. É muito positivo vermos que tantos pesquisadores e instituições estão investindo esforços em pesquisas que, em última análise, visam a conservação das populações de quelônios aquáticos e terrestres da América Latina”, afirmou Ana Júlia.

Texto: Amanda Lelis

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