Instituto Mamirauá realiza seminário de gestão de recursos naturais

Publicado em: 28 de fevereiro de 2015

De 24 a 26 de fevereiro ocorreu o 4º Seminário Anual de Gestão de Recursos Naturais e Desenvolvimento Social, promovido pelo Instituto Mamirauá, em Tefé (AM). O evento reuniu a equipe de técnicos, coordenadores dos programas de manejo e desenvolvimento e pesquisadores das áreas social e florestal.

“Nos últimos quatro anos temos escolhido alguns temas para serem discutidos mais profundamente. Geralmente os temas são relacionados às dificuldades que os técnicos encontram no processo de implementação dos projetos. Nós já discutimos sobre participação, assistencialismo e desenvolvimento sustentável, por exemplo”, afirmou Isabel Soares de Sousa, Diretora de Manejo e Desenvolvimento do Instituto Mamirauá. Este ano o tema foi “Avanços, desafios e perspectivas da assessoria técnica do Instituto Mamirauá”.

A equipe de cada programa apresentou um histórico das atividades, desde quando foram iniciadas na década de 1990. Esse resgate do processo de implementação dos diferentes projetos permitiu ao grupo apontar desafios vivenciados e estratégias empregadas para superá-los. Permitiu também discutir e avaliar os pontos positivos e negativos da assessoria técnica ao longo dos anos.  “Os técnicos organizaram e fizeram as apresentações, e como há uma rotatividade muito grande dos membros das equipes, os que estão aqui hoje tiveram que ler relatórios antigos. A avaliação que eu faço é que essa metodologia adotada fez o grupo refletir e perceber que as dificuldades de hoje são bem menos desafiadoras do que aquelas do passado, porque a gente já superou muita coisa”, afirma Isabel.

Em uma das apresentações, o programa de Turismo de Base Comunitária relatou os desafios enfrentados no início da operação da Pousada Uacari. Diferente de atividades como a pesca, a extração de madeira e a agricultura, o ecoturismo não era tradicional na região. Pedro Nassar, técnico do Instituto Mamirauá, contou que “no começo das atividades, muitas comunidades não quiseram fazer parte da equipe da Pousada Uacari. Muitas reuniões foram necessárias para discutir o que era o ecoturismo. Com o tempo isso foi mudando. A comunidade Caburini representa bem essa mudança: não participou das atividades no começo, mas hoje tem o maior número de pessoas trabalhando na Pousada”.

“Olhando o nosso histórico, é fácil perceber muitas conquistas. Podemos destacar: a aprovação da  Instrução Normativa para manejo florestal em ecossistema de várzea, IN/SDS/009 de 12/11/10, baseada nas experiências de pesquisa e  extensão realizadas na Reserva Mamirauá; a inclusão dos pescadores das sedes dos municípios do entorno das reservas nos projetos de manejo de pesca, através de Acordos de Pesca; os experimentos de manejo de Sistemas Agroflorestais sem uso de fogo para limpar as áreas, e todo o reconhecimento das nossas ações, através de prêmios concedidos ao Instituto”, pontua Isabel.

Além desse olhar voltado ao passado, o Seminário também buscou analisar processos e desafios atuais. O Programa de Turismo de Base Comunitária, por exemplo, tem pela frente o desafio de transferir a gestão da Pousada Uacari. Hoje, a gestão é compartilhada entre o Instituto Mamirauá e as comunidades. A proposta é que, até 2022, a gestão seja integralmente assumida pelos comunitários. Para o Programa de Qualidade de Vida o desafio também diz respeito à gestão, neste caso dos sistemas de abastecimento e tratamento de água já implementados nas comunidades. “Ainda temos muitos desafios pela frente, como a comercialização dos produtos agrícolas, da madeira e do pescado. Como ajudar os produtores a terem acesso a um mercado que valorize seus produtos?  A gestão dos projetos de manejo pelas associações de produtores é outro grande desafio, pois precisam muito ainda de assessoria técnica”, afirma Isabel.

Todos esses avanços são também resultado das ações desenvolvidas pelo Programa de Gestão Comunitária, que trabalha com a organização das comunidades. Para Isabel, “as oficinas de capacitação de lideranças e associativismo, de educação ambiental, de comunicação comunitária e o apoio às ações de vigilância das reservas feitas pelos Agentes Ambientais Voluntários das comunidades são fundamentais para fortalecer os projetos de manejo que desenvolvemos”. 

O Seminário proporcionou um momento de reflexão para o grupo. As equipes pararam suas rotinas diárias para justamente avaliá-las. Isabel ainda ressalta que “este momento é importante para refletirmos sobre nossas atividades, por onde estamos caminhando, se estamos alcançando nossas metas. Temos que avaliar se estamos de acordo com nossa missão institucional. Se algo estiver saindo do foco, devemos trazer de volta”.

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