Instituto Mamirauá realiza plantio de mudas nas Reservas Mamirauá e Amanã

Publicado em: 13 de novembro de 2014

O Instituto Mamirauá, por meio de seu Grupo de Pesquisa em Ecologia Florestal, realiza diversas pesquisas que envolvem inventários florísticos, coleta de sementes e testes de germinação. Durante o mês de outubro, 1.200 mudas foram plantadas em três diferentes ambientes das Reservas Mamirauá e Amanã: uma área de pastagem, uma de capoeira e outra de mata madura não perturbada.

O projeto de plantio tem como objetivo levantar informações sobre o potencial de determinadas espécies nativas para o enriquecimento de áreas que já sofreram algum tipo de exploração em florestas de várzea. “Hoje, quase todo o conhecimento publicado sobre regeneração de florestas na Amazônia Central é na terra firme. A gente não tem informações suficientes sobre a várzea. Por isso, estamos tentando preencher essa lacuna”, conta Nathália Monalisa Francisco, pesquisadora do Instituto Mamirauá.

Monalisa explica que “trabalhamos em duas áreas degradadas, a pastagem e a capoeira, para observarmos como a modificação das condições ambientais nestas áreas influencia o estabelecimento das plantas, comparando o desempenho delas com o de mudas da mesma espécie na mata não perturbada. A gente procurou contemplar áreas com diferentes graus de degradação, e que essa degradação fosse fruto de atividades dos moradores, do uso tradicional que eles fazem da terra. Queremos entender quais condições facilitam ou inibem o estabelecimento de uma ou outra espécie em cada um destes diferentes ambientes”.

Logo após o plantio, a altura e o diâmetro de cada muda são medidos, e a sobrevivência e o crescimento serão acompanhados até outubro de 2015. Esse trabalho em campo varia bastante conforme a estação do ano. Na seca, o monitoramento do desempenho das mudas e das condições ambientais será mensal. “Mediremos a incidência de luz, a temperatura, a umidade do ar e eventos de queda de serapilheira – nome dado ao estoque de matéria orgânica morta que cai e se acumula no chão da floresta. Eu espero que tenha alguma variação significativa dessas condições entre os ambientes, sobretudo na incidência de luz, e que esse seja um dos fatores que mais afete as plantas em seu crescimento”, mostra Monalisa.

Já na cheia, o monitoramento analisará dois fatores: duração da inundação e profundidade da coluna d água. Antes e depois da enchente, período durante o qual as plantas permanecerão submersas, será estimada a taxa de mortalidade das mudas. “Tão logo a água baixe, a gente vai voltar a campo e ver qual foi o efeito desse período de submersão para a sobrevivência das mudas e quantas sobreviveram”, explica a pesquisadora.

A escolha das áreas de plantio foi articulada em conjunto com os comunitários. Monalisa conta que “o pasto onde trabalhamos é de uso de um comunitário que tinha interesse de reflorestar. A outra área, uma capoeira abandonada, era um cultivo de banana e também foi sugerida pelo antigo produtor. Eles também participaram de todo o processo, desde a medição da área até o plantio”. Essa articulação é importante uma vez que o uso de recursos madeireiros é fundamental para as comunidades. “Esses dados que levantamos subsidiam ações de manejo, fornecendo informações sobre a ecologia básica das espécies e sobre a regeneração de florestas de várzea. Além disso, damos prioridade para o estudo de espécies madeireiras que são bastante exploradas, como a virola, por exemplo”, conclui a pesquisadora.

As mudas utilizadas

Cinco espécies fazem parte deste estudo: acapurana (Campsiandra comosa), muiratinga (Maquira coriacea); copaíba (Copaifera sp.), matá-matá (Eschweilera albiflora), virola (Virola surinamensis). Todas são espécies nativas da várzea, algumas com grande importância econômica para as comunidades da região.  As mudas foram produzidas na Casa de Vegetação, espaço localizado na sede do Instituto Mamirauá, em Tefé (AM). A casa é uma estrutura que simula diferentes condições ambientais encontradas nas florestas de várzea, como a luminosidade e a inundação. Ali são realizados uma série de experimentos de germinação de sementes.Somente as mudas de copaíba são oriundas de matas nativas: “Nós coletamos estas mudas já formadas embaixo da planta-mãe, em uma área de regeneração natural. As restantes são frutos dos nossos experimentos sobre germinação. Estes dois projetos, de germinação e de recomposição florestal, andam juntos”, reforçou Monalisa.

A Casa de Vegetação foi inaugurada em abril de 2014, em Tefé (AM). Foto: Everson Taveres

O tamanho das plantas que foram para campo é bastante variado, mas medem, no mínimo, aproximadamente 15 cm de altura. Esta variação também pode trazer indicativos importantes para a pesquisa. Monalisa afirma que “essa é uma das perguntas do projeto: o tamanho inicial afeta o desempenho das mudas no campo? Porque a gente supõe que plântulas maiores devem apresentar uma maior vantagem competitiva sobre as outras, por já terem superado um período de crescimento inicial mais crítico”.

Estas ações fazem parte do projeto “Participação e Sustentabilidade: o Uso Adequado da Biodiversidade e a Redução das Emissões de Carbono nas Florestas da Amazônia Central” –BioREC – desenvolvido pelo Instituto Mamirauá com financiamento do Fundo Amazônia.

Por Vanessa Eyng

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