Instituto Mamirauá realiza capacitação comunitária em contagem de jacaré

Publicado em: 15 de Janeiro de 2018

Capacitação foi realizada no setor Jarauá da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Em 2018, o setor deve dar início às atividades de manejo participativo de jacarés

Ele é o maior predador aquático da América Latina. Os machos podem ultrapassar os 5 metros, enquanto as fêmeas chegam a alcançar 3 metros de comprimento total. Esse é o jacaré-açu (Melanosuchus niger). Os olhos menos treinados podem até confundi-lo com outra espécie. Mas quem participou da segunda capacitação comunitária em contagem noturna de jacarés realizada pelo Instituto Mamirauá já sabe. Os jacaretingas são menores, possuem uma coloração diferente e uma ossificação entre a fronte e os olhos.

A capacitação promovida pelo Programa de Pesquisa em Conservação e Manejo de Jacarés do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) foi realizada entre os dias 05 e 07 de dezembro de 2017 no setor Jarauá da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Durante os três dias os moradores da comunidade conheceram aspectos importantes para implementação de um sistema de manejo participativo de jacarés, além de aprender, na teoria e na prática, características sobre as duas espécies encontradas na região amazônica.

Para o morador da comunidade São Raimundo do Jarauá, Josué de Castro, a capacitação é um passo importante para um futuro manejo participativo de jacarés. “A gente espera que assim como o manejo de pirarucu, o manejo de jacarés possa dar certo e se torne uma fonte alternativa de renda para comunidade”.

A pesquisadora do Programa de Pesquisa em Conservação e Manejo de Jacarés do Instituto Mamirauá, Barthira Rezende, ressalta a participação dos comunitários e do manejo participativo de jacarés como uma estratégia importante de conservação das espécies encontradas na região amazônica. “A participação dos moradores locais nas tomadas de decisões e estratégias de conservação é uma parte essencial no sistema de manejo de jacarés, uma vez que eles são os maiores beneficiários dessa atividade”.  

A partir dessa participação, espera-se que os comunitários se sintam motivados em proteger e conservar tais recursos. “O manejo é uma estratégia de conservação e de inclusão social direcionada para o gerenciamento sustentável dos recursos da biodiversidade e para promoção da qualidade de vida desta população ribeirinha”, afirma a pesquisadora. 

Contagem

Após a teoria é hora de botar em prática as orientações passadas pela pesquisadora do Instituto Mamirauá. Barthira explica que a técnica utilizada é bastante conhecida e consolidada entre os pesquisadores. “Ela consiste em percorrer os locais previamente identificados nos mapeamentos participativos, fazendo aproximações em determinado número de animais para identificar a espécie e estimar o seu tamanho”. As contagens deverão ser acompanhadas por um técnico ou pesquisador qualificado para validar as informações coletadas.

As contagens de jacarés podem ser consideradas uma forma de avaliação do estoque do recurso disponível para uso. “A partir da contagem é possível estabelecer a cota de retirada de jacarés em um sistema de manejo participativo e sustentável”, afirma a pesquisadora.

Manejo na comunidade do Jarauá

Em 2018, o setor Jarauá deve dar início ao Manejo Participativo de Jacarés na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Para isso, o setor Jarauá deverá receber a Planta Abate Remoto, um modelo de estrutura flutuante construída para o abate do animal.

As atividades realizadas pelo Programa de Pesquisa em Conservação e Manejo de Jacarés do Instituto Mamirauá contam com recurso da Fundação Gordon And Betty Moore Foundation.

Texto: Laís Maia 

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