Instituto Mamirauá participa de encontro do Conselho Consultivo da Floresta Nacional de Tefé

Publicado em: 26 de março de 2015

O Instituto Mamirauá participou da reunião do Conselho Consultivo da Floresta Nacional (Flona) de Tefé, no Amazonas, realizada nos dias 24 e 25 de março. Desde a sua criação, em fevereiro de 2011, já foram feitas 12 reuniões para discutir ações de integração da Unidade de Conservação e demais áreas de seu entorno.

O Conselho Consultivo existe como uma ferramenta de integração entre a sociedade e as Unidades de Conservação, visando a promoção da gestão compartilhada dessas áreas. O Conselho da Flona de Tefé é composto por representantes das comunidades inseridas na região, por instituições que atuam na área e órgãos governamentais.

Sandro Regatieri, conselheiro representante do Instituto Mamirauá, afirma que a instituição participa do Conselho desde a sua criação, como parte da secretaria executiva, e propondo ações para subsidiar as atividades de manejo e outras ações de uso sustentável dos recursos naturais na Flona de Tefé, uma forma de contribuir para o desenvolvimento da região onde está localizada a sede do Instituto.

"Participamos do Conselho contribuindo como uma instituição de pesquisa. Já trabalhamos há mais de 20 anos em duas Unidades de Conservação (Reservas Mamirauá e Amanã) e possuímos também experiência em várias outras regiões da Amazônia. Já temos conhecimento teórico, científico e prático em pesquisa e extensão nessas áreas, por isso podemos contribuir. Acredito que essa união de conselheiros institucionais e conselheiros comunitários apoia muito nessa discussão sobre a gestão da área", reforçou Sandro.

Entre as responsabilidades do Conselho Consultivo está a elaboração e acompanhamento do plano de ações, que reúne atividades a serem desenvolvidas na Flona, a partir de demandas propostas e discutidas durante os encontros. Outra função importante do Conselho é acompanhar a elaboração e implementação do Plano de Manejo da Unidade de Conservação.

O Instituto Mamirauá atua em parceria com o ICMBIO para realização de pesquisas científicas e apoio na realização de atividades de manejo na Flona de Tefé desde 2011, quando foi acertado termo de reciprocidade entre as duas instituições. Os estudos contribuíram para a elaboração do Plano de Manejo da Flona, que atualmente está sendo avaliado pelo Conselho e pelo ICMBIO para publicação e implementação posterior.

"Gerando esse conhecimento, podemos entender melhor a Unidade de Conservação para planejar mais adequadamente seu uso. Tanto em termos territoriais, quanto em termos de planejamento de ações a serem executadas", afirmou Rafael Rossato, analista do ICMBIO e gestor da Flona de Tefé.

A Flona de Tefé foi criada em 1989 como uma Unidade de Conservação de uso sustentável administrada pelo ICMBio e possui cerca de 865 mil hectares. De acordo com Rafael, o Conselho "serve como um elo entre o ICMBIO e a sociedade para apoiar a Flona, decidindo as prioridades para a gestão, discutindo o plano de manejo, o acordo de gestão, além de outras ações. Ele também acaba ajudando na articulação de parcerias entre as comunidades e outras instituições".

De acordo com Francisco Falcão, morador da Flona e presidente da Associação de Produtores Agroextrativistas da Floresta Nacional de Tefé e Entorno (Apafe), atualmente são 99 comunidades, com cerca de 800 famílias que residem na área da Flona e seu entorno. "O Conselho é um coletivo de representantes ajudando para que a gente possa caminhar com o objetivo de administrar a Unidade com mais clareza, com mais ênfase naquilo que a gente está construindo. Esses parceiros têm contribuído bastante, a gente já tem conseguido algumas coisas, como pesquisa, ação social, ações de saúde e mobilização, isso é importante pra nós", reforçou Francisco.

Durante o encontro também foi discutida a produção de livros didáticos sobre a Flona de Tefé, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O conteúdo dos livros está sendo produzido com a colaboração de comunitários, como afirma Rafael: "Serão três livros, um voltado para professores, outro para os alunos e um livro de literatura infantil sobre a questão ambiental na região. São livros produzidos a partir do conhecimento popular, como uma forma de valorização do conhecimento tradicional".

De acordo com Rafael, está prevista a realização de uma oficina com os professores da região para revisão do conteúdo dos livros e proposição de atividades utilizando-os como material didático. A próxima reunião do Conselho está prevista para junho. 

Últimas Notícias

Comentários

Receba as novidade em seu e-mail: