Instituto Mamirauá mostra resultados de projeto para a conservação de espécies bandeira das águas amazônicas

Publicado em: 24 de maio de 2012

As reservas Mamirauá e Amanã somam 3.474.000 ha, com grandes extensões de florestas alagadas, habitat natural de animais que possuem longo histórico de exploração humana, e hoje são foco de ações de conservação. Desde o início de suas ações, nos anos 80, o Instituto Mamirauá adotou uma metodologia de trabalho que concilia o conhecimento tradicional e o saber científico. Em 2010, com o patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Ambiental, o Instituto iniciou o projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert), que visa consolidar estratégias para a conservação de peixes-boi, botos, lontras, jacarés e quelônios.

Três pesquisadores do projeto Aquavert participaram, entre os dias 14 e 18 de maio, do X Congresso Internacional de Manejo de Fauna Silvestre, ocorrido em Salta, na Argentina: a oceanógrafa Miriam Marmontel e os biólogos Cássia Santos Camillo e Robinson Botero-Arias. Em apresentação oral, Robinson Botero-Arias, que realiza estudos sobre jacarés, apresentou os resultados obtidos pelo projeto Aquavert em um ano e meio de atuação nas Reservas Mamirauá e Amanã.

Além de atividades de pesquisa sobre biologia, ecologia e status populacional das espécies, o projeto Aquavert atua em sensibilização e educação ambiental, utilizando métodos de diagnóstico comunitário através de mapeamentos participativos. Vinte moradores das Reservas Mamirauá e Amanã atuam diretamente no projeto, trabalhando como assistentes de campo; o Aquavert já realizou ações de educação ambiental em 47 comunidades, envolvendo 1060 moradores.

“As comunidades são envolvidas nas estratégias de conservação por meio de monitoramento e contagens comunitárias voluntárias e como assistentes de campo, dando suporte a pesquisas e monitoramentos de longo prazo. Desta forma, os comunitários auxiliam na proteção dos recursos e seus conhecimentos empíricos contribuem para o desenvolvimento das pesquisas”, afirmou Botero-Arias durante sua apresentação na Argentina.

Em 2011, 44 comunidades da Reserva Mamirauá atuaram no trabalho de Conservação Comunitária de Quelônios, com o apoio do projeto Aquavert e do Programa de Gestão Comunitária do Instituto Mamirauá: 16 praias e 17 lagos foram protegidos, o que garantiu o nascimento de aproximadamente 42 mil filhotes de quelônios, número quase quatro vezes maior do que o registrado em 2010 nas áreas de proteção.

No período de seca de 2011, aproximadamente 400 ninhos de jacarés-açu e jacaretingas foram registrados, com o apoio de 12 comunidades.

Em julho, os pesquisadores do Aquavert darão suporte à soltura e ao monitoramento de cinco peixes-boi, que estão em processo de reabilitação no Centro de Reabilitação de Peixe-Boi Amazônico de Base Comunitária (Centrinho), mantido pelo Instituto Mamirauá na Reserva Amanã. Na seca deste ano, o projeto realizará um inédito censo de peixes-boi amazônicos, na Reserva Amanã, utilizando tecnologia de sonares.

Texto: Augusto Rodrigues

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