Instituto Mamirauá inicia captura de aves para conhecer rota migratória das espécies

Publicado em: 26 de setembro de 2012

26/09/2012 – Conhecer a rota migratória e a reprodução das aves da Reserva Mamirauá é o objetivo da pesquisa desenvolvida pela bióloga Bianca Bernardon, do Grupo de Pesquisa em Ecologia de Vertebrados Terrestres do Instituto Mamirauá. Desde agosto, o grupo realiza capturas de gaivotas, gaivotinhas e corta-águas na reserva. Em agosto, 168 aves adultas foram capturadas e, em setembro, 31 adultos e 108 filhotes. 

 
“A baixa das águas no médio Rio Solimões atrai um grande número de aves aquáticas para suas praias. Na cheia, entretanto, há uma redução extrema ou ausência de espécies, sem que seja conhecido o destino da maioria”, argumentou Bianca. Os dados coletados a partir das capturas vão permitir investigar se as aves retornam para a mesma praia em que nasceram ou se reproduziram nos anos anteriores, mesmo sob pressão da exploração humana ou predação dos ovos e filhotes.
 
As atividades de captura das aves adultas acontecem à noite, quando a temperatura ambiente é menor, causando menos impacto às aves. No período noturno, elas também têm dificuldades para verem as redes, que têm doze metros de comprimento por três metros de altura e são abertas verticalmente. Os animais são recolhidos assim que caem na armadilha para obtenção de dados biométricos como peso, cumprimento da cabeça, da asa, do bico, entre outros. Após essa coleta de dados, os animais são soltos. 
 
Cada ave recebe um anel de metal, que possui um número de identificação do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave/ICMBio). Esses dados são armazenados no banco de dados do Sistema Nacional de Anilhamento de Aves Silvestres (SNA). Quando outro pesquisador capturar essa mesma ave, em outra parte do Brasil ou da América do Sul, ele vai anotar o número e o Instituto Mamirauá poderá conhecer a rota de migração das espécies.
 
Outra atividade da pesquisa é o monitoramento dos ninhos. Com este controle será possível reunir informações sobre o período de incubação, permanência dos filhotes, além de aspectos externos como predação natural ou humana. “Marcamos cerca de 150 ninhos com estacas de madeira e um número individual. Todos são visitados diariamente para verificação do número de ovos, nascimento dos filhotes, predação, etc.”, afirmou a pesquisadora.
 
Interação com a comunidade local
Moradores e usuários da Reserva Mamirauá podem contribuir com a coleta de dados, conforme explica a bióloga: “se alguém encontrar uma ave que esteja com o anel de identificação, basta anotar o número e soltar a ave novamente. Se o animal estiver com algum problema, ele poderá ser entregue ao Instituto Mamirauá e, se estiver morto, nós pedimos que as anilhas sejam recolhidas, caso haja naquele animal. Pedimos que todas essas informações sejam repassadas para nós posteriormente”. 
 
Ações de educação ambiental também estão sendo realizadas. No dia 21 de setembro, crianças da comunidade Novo Horizonte, onde a pesquisa é desenvolvida, participaram do anilhamento dos filhotes. “Nós explicamos a importância do trabalho e elas puderam ajudar, segurando o animal durante o procedimento de marcação e sua soltura. Esse contato também faz com que elas entendam como poderão proteger essas espécies no futuro”, informou. 



À esquerda, a pesquisadora Bianca Bernardon durante anilhamento de aves com as crianças da comunidade. (Foto: Camila Martins Pires).
 
 
Texto: Eunice Venturi
Colaboração: Lígia Apel

 

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