Instituto Mamirauá faz inventário da riqueza natural e arqueológica em áreas protegidas na Amazônia

Publicado em: 31 de maio de 2017

Expedições levantam a sociobiodiversidade em unidades de conservação no estado do Amazonas. O projeto é uma parceria com o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) e tem financiamento da Fundação Moore

Um grupo de cientistas do Instituto Mamirauá partiu, nessa segunda-feira (29), para uma expedição inédita em uma grande área protegida na Amazônia. Nos próximos vinte dias, o grupo vai percorrer por água e terra uma parte dos mais de 800 mil hectares da Estação Ecológica Juami- Japurá. A missão dos pesquisadores é fazer o inventário de espécies de fauna e investigar a história de ocupação humana na região. 

A viagem científica, que terá término no dia 17 de junho, é fruto de uma parceria formal do Instituto Mamirauá com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que é o órgão responsável por criar e gerir unidades de conservação no Brasil. Desde que as instituições assinaram um termo de cooperação, três expedições científicas já foram realizadas em territórios de proteção ambiental no estado do Amazonas.

As expedições anteriores visitaram a Estação Ecológica (Esec) de Jutaí-Solimões e as Reservas Extrativistas (Resex) do Rio Jutaí e Auati-Paraná, todas localizadas no estado do Amazonas. As atividades mobilizam especialistas de fauna, flora e pesquisas sociais. A expedição para a Esec Juami-Japurá e o trabalho de análise do material coletado nas expedições anteriores tem financiamento da Fundação Gordon e Betty Moore.

Diversidade

“A diversidade que estamos encontrando é incrível” conta o diretor Técnico Científico do Instituto Mamirauá e pesquisador membro das expedições, João Valsecchi. “Em praticamente todos os grupos de animais inventariados temos novas ocorrências de espécies para a Amazônia Brasileira”.

O pesquisador explica que o trabalho de construir um panorama da vida animal, vegetal, do presente e passado dos povos que habitam as unidades de conservação no Brasil é “importante para gestão das áreas”. “Para conhecer e proteger essa biodiversidade. Esse conhecimento, por exemplo, é uma ferrramenta que pode ser usada para criar e ampliar medidas de conservação de espécies”, cita.

Em campo

Os zóologos da expedição Juami-Japurá vão levantar dados das espécies animais. O foco será em exemplares de mamíferos terrestres de pequeno e médio porte, morcegos e aves. Já a equipe de arqueologia vai conversar com moradores de dentro e do entorno da estação e fazer um levantamento inicial de potenciais sítios arqueológicos, procurando evidências das antigas sociedades indígenas que viveram na região de Juami-Japurá há milhares de anos.

“A expedição será uma ótima oportunidade para investigarmos uma nova área. Essa parte do rio Japurá só foi explorada nos anos 1950 pelo arqueólogo alemão Peter Hilbert e desde então, nenhuma outra pesquisa foi realizada” afirma o arqueólogo do Instituto Mamirauá, Eduardo Kazuo.

“Essa etapa de campo nos trará novos desafios e informações sobre o passado da região, permitindo testar modelos preditivos sobre a ocorrência de sítios arqueológicos e propor atividades para o Plano de Gestão da Esec Juami-Japurá”, ressalta. As pesquisas arqueológicas serão feitas em parceria com o Museu da Amazônia (MUSA).

Coleções científicas

Um dos objetivos da expedição é a análise, em busca de um diagnóstico da sociobiodiversidade na unidade de conservação. O material coletado será depositado nas coleções científicas do Instituto Mamirauá e de centros de pesquisas parceiros.

“O material das últimas três expedições em parceria com o ICMBio já está em análise”, informa João Valsecchi. “Grande parte dele está sendo depositado nas coleções do Instituto Mamirauá. Estamos trabalhando também com grandes coleções regionais, como a do Museu Paraense Emílio Goeldi e do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia)”.

Texto: João Cunha

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