Instituto Mamirauá comemora 15 anos de atuação na Amazônia

Publicado em: 22 de abril de 2014

O crescimento da infraestrutura de pesquisa para várias partes da calha do Solimões-Amazonas. O aumento da população de pirarucus em decorrência do manejo da espécie. Cerca de 15 milhões de reais gerados para comunidades ribeirinhas com o manejo de recursos naturais. Esses são alguns dos resultados da atuação do Instituto Mamirauá que, ao comemorar 15 anos de fundação em Tefé (AM), reflete sobre os resultados da execução de projetos de pesquisa e de ações voltadas ao manejo e desenvolvimento social. 
 
“O Instituto Mamirauá está completando 15 anos, mas quando penso em tempo não consigo deixar de lembrar os anos anteriores a 1999 e todo o trabalho realizado pelo José Marcio Ayres e pela Sociedade Civil Mamirauá. Acreditando que a inclusão social é imprescindível para a proposta de desenvolvimento sustentável, continuamos empenhando esforços para esse fim. Parabéns Instituto Mamirauá e muito obrigada pela oportunidade de trabalho”, comemorou Isabel Sousa, Diretoria de Manejo e Desenvolvimento. 
 
O Instituto Mamirauá foi fundado no dia 23 de abril de 1999, mas para falar de sua história é preciso recorrer aos antecedentes, pois a determinação de um pesquisador, em defesa de uma espécie de macaco, tem sido capaz de mobilizar muitas pessoas em torno de um único objetivo: a conservação da Amazônia. Na década de 1980, o primatólogo José Márcio Ayres iniciou uma pesquisa na região, atraído pelos relatos do naturalista inglês Henry Walter Bates sobre a presença de uma espécie endêmica de macaco: o uacari-branco (Cacajao calvus calvus). 
 
Cinco anos depois, o cientista encaminhou uma proposta ao Governo Federal, para a criação de uma área de cerca de 200 mil hectares que protegeria o primata. A solicitação foi atendida em 1986 com a criação da Estação Ecológica Mamirauá. Em 1990, essa Unidade de Conservação passou para a administração do Governo do Estado do Amazonas. Houve expansão dos seus limites, abrangendo uma área de 1.124.000 hectares. Em 1996, foi transformada em Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS), a primeira no Brasil. Atualmente, há cerca de outras 30 RDS’s no território brasileiro. 
 
Desde então, um número cada vez maior de pesquisadores e técnicos foram integrados à equipe do então Projeto Mamirauá, criado para desenvolver atividades de pesquisa e extensão na Reserva Mamirauá. Quase 20 anos depois da chegada de Márcio, uma organização social foi constituída: o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Márcio foi o primeiro diretor do Instituto Mamirauá, mas faleceu em 2003, vítima de câncer, e não pôde acompanhar o crescimento da instituição. 
 
Determinação foi o que motivou os que o sucedem: “Pela determinação da equipe inicial, e da que hoje atua na instituição, o Instituto segue em ritmo crescente [veja Mamirauá em Números], é importante para a região e reconhecido no Brasil e no exterior”, disse Ana Rita Pereira Alves, assessora institucional do Instituto Mamirauá. Fundado no dia 23 de abril de 1999, o Instituto Mamirauá foi transformado em unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. 
 
Recentemente, Luiz Gonzaga de Matos, membro da Colônia Z-32 de Maraã e morador da Reserva Mamirauá, refletiu sobre a criação do Instituto: “Nós também destacamos a fundação do Instituto Mamirauá como uma evolução, de crescimento, de vida para a unidade. O Instituto Mamirauá é muito importante na nossa vida, por aquilo que representa, por aquilo que desenvolve”. Ao resultado do que é desenvolvido soma-se: 600 mil reais gerados para 15 comunidades beneficiadas com as iniciativas de manejo florestal; mais de 12 milhões de reais foram gerados para 31 comunidades, três colônias de pescadores e um sindicato de pescadores com as iniciativas de manejo de pesca e 1,9 milhão de reais com as iniciativas de turismo de base comunitária. 
 
Além disso, mais de 1.200 pessoas capacitadas para atuarem como líderes comunitários, comunicadores populares ou agentes ambientais voluntários. As ações promovidas nesses 15 anos pelo Instituto Mamirauá ocorrem dentro das linhas de atuação de pesquisa para a conservação, assessoria técnica para o manejo sustentável de recursos naturais, educação ambiental, entre outras. Outra importante influência é na formulação de políticas públicas na área de meio ambiente e recursos naturais na Amazônia. 
 
Segundo Isabel, as experiências com manejo de recursos naturais extrapolaram os limites das Reservas Mamirauá e Amanã, e estão sendo disseminadas para outras áreas da Amazônia, beneficiando outras populações ribeirinhas. “Nesse sentido, destaco o manejo florestal, um modelo de manejo comunitário, implementado em 1999, em cinco comunidades da Reserva Mamirauá, cujos planos de manejo foram os pioneiros do estado do Amazonas. Destaco também as pesquisas voltadas para o manejo do pirarucu que abriram precedentes para o IBAMA/AM licenciar a pesca e a comercialização”, destacou.
 
A partir de hoje, o Instituto Mamirauá irá publicar uma série de informações que tratam individualmente dos principais resultados de sua atuação. No final do dia, haverá a inauguração da Incubadora Mamirauá, criada para fortalecer o potencial de inovação da Região Norte. A implementação da incubadora é um dos resultados do Projeto Aliança, uma parceria do Instituto Mamirauá com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) apoiada pelo programa Pró-Incubadoras da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM). 
 
Mamirauá em Números
 
> Produção Científica de 2001 a 2013 
• 392 artigos científicos 
• 1.178 apresentações em eventos científicos 
• 109 capítulos de livros 
• 43 livros 
• 101 teses e dissertações 
• 6 protocolos de manejo de recursos naturais
 
> Iniciação científica 
Mais de 250 bolsas de iniciação científica foram concedidas para estudantes de ensino médio e superior do município de Tefé (AM) nestes 15 anos. 
 
> Atualmente
• 298 colaboradores, sendo 195 funcionários, 86 bolsistas, 14 estudantes de pós-graduação e  3 estagiários 
• Sede em Tefé (AM), com área construída de 4 mil metros quadrados 
• Escritórios de representação em Manaus (AM) e Belém (PA) 
• 16 bases flutuantes de campo 
• 1 base em terra firme de campo 
• 1 laboratório de selva em terra firme 
• Biblioteca Henry Walter Bates com mais de 15 mil títulos. Especializada em ambiente de várzea, ecologia e meio ambiente.

Texto: Eunice Venturi
 

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