Instituto Mamirauá busca contribuir para o empreendedorismo e a inovação no Amazonas

Publicado em: 26 de abril de 2016

Rico em biodiversidade, o estado do Amazonas tem parte das suas atividades econômicas vinculadas ao aproveitamento dos recursos naturais. Pesca, agricultura, manejo florestal e turismo são alguns exemplos. Atenta ao potencial do interior do estado, a Incubadora Mamirauá de Negócios Sustentáveis – projeto realizado pelo Instituto Mamirauá desde 2014, com apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam) – busca colaborar para o desenvolvimento da região, incentivando a inovação e o empreendedorismo.

A Incubadora é um projeto do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Um estudo, executado entre 2013 e 2014, analisou as tendências e os cenários prospectivos, as competências científico-tecnológicas existentes e as competências produtivas instaladas, além dos recursos naturais da região. O material apresenta as vocações naturais de Tefé (AM) e do interior, como recursos florestais, pesqueiros, hídricos, de solo e de biodiversidade.

O documento destacou que o “estudo e uso sustentável da biodiversidade pode trazer importantes oportunidades de negócios na região”. A pesquisa foi realizada pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e identificou áreas com potencial, em relação ao desenvolvimento e ao fortalecimento de incubadoras em Tefé.

Josivaldo Modesto, coordenador do Núcleo de Inovação e Tecnologias Sustentáveis (Nits) do Instituto Mamirauá, ressaltou a importância de contribuir para uma aliança de parceiros, com instituições interessadas e engajadas no desenvolvimento da região, que poderá incentivar o potencial de empreendedorismo e inovação do interior. “Podemos motivar oferecendo oportunidades de interação entre os empreendedores locais e as instituições de apoio e fomento de negócios nascentes no município, trazendo os empreendedores para dentro de um espaço de inovação, criando momentos networking que favoreçam o surgimento de novas ideias e de novos negócios, não apenas no município sede da incubadora, mas também nos outros da nossa área de atuação”, disse Josivaldo.

O Serviço Brasileiro de Apoio às micro e pequenas Empresas (Sebrae) é parceiro do Instituto Mamirauá no projeto. A gestora do Sebrae Tefé, Jeane Soeiro Alves, afirma que “as incubadoras têm o papel de dar suporte técnico e gerencial às empresas nascentes, criar um ambiente de proteção nos primeiros anos e garantir que venham entrar e permanecer no mercado, que hoje é bastante competitivo”.

Jeane comentou a importância de se intensificar o incentivo ao empreendedorismo no interior do Amazonas: “Não só o investimento em divulgação e incentivo por parte das instituições. Precisamos encontrar meios ou metodologias que façam o empreendedor entender o quanto a inovação é importante para o seu negócio. Empreender é ‘fazer’. Inovar é ‘fazer de forma diferente e produtiva’, trazendo retorno financeiro, econômico e sustentável”.

Atualmente, a incubadora avança nas primeiras etapas do Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos (Cerne). O Cerne é o atual modelo de gestão para incubadoras, que reúne quatro níveis de maturidade, o que, de acordo com Josivaldo, “representa um passo da incubadora para se posicionar como um ambiente de inovação que atua profissionalmente e gera resultados expressivos para o desenvolvimento de sua região e do país. Dessa forma, teremos pela frente uma série de práticas-chaves previstas no Cerne, que possibilitarão, em curto espaço de tempo, realizarmos pelo menos duas incubações em 2016”. A meta é que até 2017, o Instituto tenha o Cerne 1 implantado e certificado e o segundo já implantado.

“No Cerne 1, todos os processos e as práticas estão diretamente relacionados ao desenvolvimento dos empreendimentos. Nesse sentido, além de processos como planejamento, qualificação, assessoria, seleção e monitoramento, foram incluídas práticas diretamente ligadas à gestão da incubadora. Ao implantar esse nível, a incubadora demonstra que tem capacidade para prospectar, selecionar boas ideias e transformá-las em empreendimentos inovadores bem-sucedidos, sistemática e repetidamente”, completou o gestor da Incubadora Mamirauá. 


De acordo com Josivaldo, a Incubadora Mamirauá busca mapear empresários locais que estejam interessados em arranjos produtivos para organizar ou fortalecer cadeias de interesse, como é o caso das atividades relacionadas uso da biodiversidade. “Já iniciamos a prospecção dos empreendedores, que, de certa forma, alimentará um mapeamento futuro. A prospecção pode ser efetuada de maneira ativa e passiva. Esta última modalidade acontece, por exemplo, quando um empreendedor, com uma ideia de negócio, procura a incubadora porque ouviu falar do trabalho de assessoria que ela executa e quer nos apresentar a ideia. Logo após a sua visita, nós incluímos o empreendedor e a ideia no relatório de prospecção”.

Texto: Amanda Lelis

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