Instituto Mamirauá apresenta projetos no Congresso Brasileiro de Agroecologia

Publicado em: 18 de de 2017

Na décima edição do evento, Instituto dá destaque a uma pesquisa sobre o mercado consumidor de mel de abelhas nativas sem ferrão em Tefé e um relato da implantação de um sistema de produção de hortaliças em uma comunidade ribeirinha

Produto apreciado pelo sabor e pelas propriedades medicinais, o mel de abelhas nativas sem ferrão é muito popular na cidade amazonense de Tefé. A maior parte das pessoas prefere comprar o mel diretamente do produtor, por acreditar que a procedência garante um produto higiênico, além de contribuir com o meio ambiente. Esses são resultados de uma pesquisa da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e do Instituto Mamirauá, apresentada durante o X Congresso Brasileiro de Agroecologia.

Para o estudo, foram entrevistados 115 pessoas, consumidores em Tefé. O município, localizado no curso médio do Rio Solimões, é um polo para a região, concentrando grande volume de transações comerciais. Ao mesmo tempo em que apontam a aceitação do mel, as entrevistas também indicam que outros produtos das abelhas nativas, como a cera e o geoprópolis, ainda são desconhecidos pelo público consumidor.

No que diz respeito ao valor, os entrevistados consideram que R$ 48,00, em média, é um preço justo pelo litro do mel. A resposta unânime foi a preferência pelo mel de abelha nativas sem ferrão, por ser considerado o mel “verdadeiro”. Também conhecidas como jandaíras, as abelhas nativas prestam importantes serviços para as florestas e sistemas agroflorestais, como a polinização.

“Os dados fornecidos por esse estudo mostram o potencial da meliponicultura (criação racional de abelhas sem ferrão) na região e podem ajudar em estratégias para o manejo das abelhas nativas sem ferrão”, explica a técnica do Programa de Manejo de Agroecossistemas (PMA) do Instituto Mamirauá, Paula Araujo, que orientou a pesquisa.

“O manejo gera renda para os extratores e meliponicultores e beneficia a manutenção das abelhas nos ecossistemas”, afirma Paula. A pesquisa, nomeada “Avaliação do mercado consumidor de produtos das abelhas nativas sem ferrão no município de Tefé, Amazonas”, foi feita por Rosinele Cavalcante, da UEA, e também teve orientação do técnico do Instituto Mamirauá, Jacson Rodrigues.

Canteiros suspensos

Jacson Rodrigues também é autor de um relato de experiência técnica que foi exibido nessa edição do Congresso Brasileiro de Agroecologia. Chamado “Sistema para produção de hortaliças em várzea na Amazônia: experiência da comunidade Costa da Ilha II – Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, Amazonas”, o trabalho apresentou o processo de implantação de canteiros suspensos em uma comunidade ribeirinha de várzea (também conhecidas como florestas inundadas), para a produção de hortaliças.

“O canteiro suspenso é uma estrutura de fácil reaplicação e adaptada à realidade local para ser utilizada durante todo o ano, principalmente no período que as áreas de várzeas são inundadas em decorrência das cheias sazonais do Rio Solimões”, conta Jacson.

Na comunidade Costa da Ilha II, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, Amazonas, foram construídos dois canteiros suspensos do tipo caixote em estruturas de madeiras.  Cada canteiro mede 10 metros de comprimento, 80 centímetros de largura e 2 metros de altura em relação ao solo onde foram cultivadas 4 espécies de hortaliças: cebolinha, coentro, couve e chicória. A instalação foi feita em local onde as superfícies eram mais altas para evitar perdas e paralisação da produção por causa das cheias.

De acordo com o técnico do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), com a instalação dos canteiros fornecem “os moradores da região têm a possibilidade de manter uma produção de forma contínua, garantindo a complementação de suas rendas e autonomia alimentar das unidades familiares”.

O projeto de canteiros suspensos foi motivado por um estudante formado no Centro Vocacional Tecnológico (CVT) do Instituto Mamirauá, voltado ao desenvolvimento de habilidades e aperfeiçoamento técnico entre jovens produtores rurais que atuem como lideranças locais em sistemas que envolvam o uso de recursos naturais.

Congresso Brasileiro de Agroecologia

A 10ª edição do Congresso Brasileiro de Agroecologia foi realizada entre os dias 12 e 15 de setembro, na cidade de Brasília-DF. A programação reuniu mais de cinco mil participantes durante quatro dias de evento e permitiu a troca de experiências em torno do tema Agroecologia.

Os trabalhos do Instituto Mamirauá foram apresentados sob o tema “ Estratégias Econômicas em Diálogo com a Agroecologia”. Na ocasião, também foram realizados o VI Congresso Latino-americano de Agroecologia e o V Seminário de Agroecologia do Distrito Federal e Entorno.

Texto: João Cunha

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