Instituto Mamirauá acompanha recuperação em áreas de manejo florestal

Publicado em: 23 de agosto de 2017

Os resultados do monitoramento podem contribuir para a atualização das legislações que orientam o manejo florestal comunitário

Para a realização de uma atividade de manejo de recursos naturais, é necessário conhecer e analisar o impacto da atividade na natureza. Com o objetivo de avaliar a sustentabilidade do Manejo Florestal Comunitário, o Instituto Mamirauá realiza o monitoramento de áreas exploradas por meio da atividade na Reserva Mamirauá, no Amazonas. O acompanhamento é parte de uma pesquisa científica iniciada em 2015 na instituição.

A pesquisadora Sarah Magalhães, do Grupo de pesquisa em Ecologia Florestal do Instituto Mamirauá, explica que a clareira provoca alterações no ambiente que vão interferir na colonização da área por novas espécies florestais. “Tem a exploração madeireira para ser comercializada, tem a exploração que a comunidade faz para uso próprio e tem a formação de clareiras naturais”, afirma.

“Qualquer desses tipos vai abrir uma clareira na floresta, introduzindo uma série de variáveis no ambiente que não existiam antes, como a maior incidência de luz, que pode favorecer o crescimento de espécies que dependem de maior incidência luminosa para se desenvolverem”, comentou.

A pesquisa é realizada em duas comunidades da Reserva Mamirauá, as comunidades Espírito Santo do Bate Papo e Santa Luzia do Horizonte. A comunidade Bate Papo realizou o manejo florestal em 2015. Em 2016, foram delimitadas as parcelas para acompanhamento da pesquisa. São monitoradas 14 clareiras - áreas abertas pelo manejo florestal madeireiro - e três áreas em diferentes “microhabitats” proporcionados pela abertura da clareira: as áreas de tronco, copa e borda da árvore derrubada, que serão monitoradas permanentemente.

Após a delimitação das áreas, foram medidos altura e diâmetro de todos os indivíduos que possuíam entre 1 e 10 centímetros. Na primeira medição, foram 155 indivíduos registrados. A próxima medição está programada para este ano, no período da seca. Uma parte dos indivíduos já foi remedida, no entanto, a remedição não foi realizada na maioria das parcelas em função da cheia.

Na comunidade Santa Luzia do Horizonte, foram instaladas seis parcelas, três em áreas de manejo e três em área que não será explorada, para comparação dos dados de regeneração natural da floresta em relação as áreas de clareiras. Esta comunidade já possui o planejamento de realização do manejo florestal, mas ainda sem previsão de data.

O manejo

O Manejo Florestal Comunitário foi iniciado na Reserva Mamirauá há mais de 15 anos. O Instituto Mamirauá presta assessoria técnica para as associações, apoiando os comunitários na realização da atividade. A exploraçãona área da Reserva Mamirauá é classificada como “de menor impacto”, por utilizar técnicas que minimizam os danos à floresta, como o direcionamento da queda das árvores e a retirada da madeira pelos corpos d’água.

A pesquisadora explica que o monitoramento da regeneração florestal é uma maneira viável de avaliar a sustentabilidade do manejo, considerando o reaparecimento de árvores com potencial madeireiro na floresta, repondo a quantidade de madeira retirada da área. No entanto, é difícil estimar em quanto tempo os pesquisadores conseguiriam ter este resultado, por isso, a proposta é que o monitoramento seja permanente.

Sarah destaca que o ideal seria o monitoramento por, no mínimo, dez anos para chegar a um primeiro resultado sólido. “Acho que daqui uns quatro anos, a partir das próximas medições, a gente já consegue ter uma composição florestal diferente da atual, que é representada em sua maioria por espécies pioneiras. E essa nova condição vai propiciar um ambiente para que novas espécies cheguem ao local e se estabeleçam”, comentou.

Os resultados da pesquisa também podem contribuir para a atualização das legislações existentes que orientam a atividade. Um decreto do Ibama, publicado em 1998, regulariza o manejo florestal comunitário. E a instrução normativa que regulamenta o manejo em ecossistema de várzea foi publicada em 2010, a partir dos resultados de pesquisas científicas.

Esta pesquisa conta com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para o pagamento de bolsa de pesquisa. No Instituto, as ações do Programa de Manejo Florestal Comunitário são financiadas pelo Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES.

Texto: Amanda Lelis

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