Instituto Mamirauá acompanha o crescimento de mudas em ambientes alterados pelo homem na Amazônia

Publicado em:  5 de abril de 2017

Pesquisa financiada pelo Fundo Amazônia avalia o potencial de sobrevivência de seis espécies de plantas para projetos de recomposição florestal

Não é fácil ser planta nas várzeas da Amazônia. Além das preocupações comuns de um vegetal, como ter temperatura, umidade e luz suficiente para crescer, existe um elemento que faz uma grande diferença: o vai e vem das águas dos rios que, durante meses, cobre parte da floresta. O Instituto Mamirauá acompanhou a evolução de mais de 600 mudas de plantas em diferentes ambientes de várzea. A ação conta com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), e projeta a recomposição de áreas degradadas na Amazônia.

O estudo, chamado “Avaliação do potencial de espécies arbóreas nativas para recomposição de áreas degradadas em florestas de várzea da Amazônia Central”, aconteceu ao longo de um ano nas Reservas Mamirauá e Amanã, estado do Amazonas. No total, foram seis espécies de árvores analisadas: Louro inamuí (Ocotea cymbarum), piranheira (Piranhea trifoliata), assacú (Hura crepitans), jitó (Guarea guidonia), genipapinho (Duroia duckei) e tarumã (Vitex cymosa).

Parceria com as comunidades

“Essas espécies são bem populares, muito usadas no cotidiano dos moradores da reserva. Desde o início, o projeto foi construído em conjunto com as comunidades, considerando os pedidos e necessidades delas”, afirma o pesquisador do Grupo de Ecologia Florestal do Instituto Mamirauá, Paulo de Jesus do Nascimento.

Com a ajuda de pessoas que vivem nas Reservas, Paulo fez o plantio das mudas em três tipos de ambientes em floresta de várzea: uma terra usada anteriormente para pastagem, uma em estado de regeneração intermediária, conhecido como capoeira, e uma floresta madura, sem histórico de degradação por parte do ser humano. Durante 12 meses de acompanhamentos in loco, completados em fevereiro desse ano, Paulo monitorou mensalmente as variáveis ambientais que influenciaram no crescimento e sobrevivência das plântulas (plantas em um estágio jovem). E no final do experimento coletou exemplares de  cada espécie nos três ambientes diferentes para análises em laboratório.

“Além disso, registrei as variáveis de crescimento da própria planta, como altura, diâmetro, biomassa, contagem de folhas e intensidade de danos, danos esse causados pela intensidade da água durante a fase de inundação, ou por predação de insetos durante a fase terrestre” acrescenta o pesquisador.

Recomposição florestal

Com todos os dados coletados, agora começa uma nova fase do estudo: a análise dos dados de monitoramento. Para essa etapa, a equipe de Ecologia Florestal do Instituto Mamirauá terá a parceria de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de Alfenas – MG e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). “Ao final das análises, poderemos saber quais fatores influenciaram em maior ou menor grau o crescimento dessas espécies de árvores em cada ambiente de estudo e quais entre essas espécies tem maior potencial de sobreviver nas condições da várzea”, explica Paulo. De acordo com ele, “o objetivo geral da pesquisa é levantar informações sobre o estabelecimento de plântulas em ambientes alterados de várzea e por fim, avaliar o potencial dessas espécies para futuros projetos de recomposição florestal”.

Texto: João Cunha

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