Iniciação Científica envolve bolsistas e orientadores em pesquisas no Instituto Mamirauá

Publicado em: 15 de julho de 2014

O Programa Institucional de Iniciação Científica do Instituto Mamirauá, além de garantir a formação de pesquisadores iniciantes, também é fundamental para os pesquisadores do Instituto, que assumem o papel de orientar estas pesquisas. João Paulo Borges Pedro, um dos coordenadores do programa, afirma que “existe um incentivo para que os pesquisadores do Instituto Mamirauá participem do programa, submetendo projetos de suas respectivas áreas”. Resultados finais e parciais destes trabalhos foram apresentados durante o 11º Simpósio sobre Conservação e Manejo Participativo na Amazônia. 
 
Jéssica de Lima participou do Simpósio e teve seu painel premiado! O estudo Sustentabilidade do consumo de paca (Cuniculus paca) na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã: uma avaliação sexo-etária, orientado por Hani El Bizri e João Valsecchi, mostra em seu resumo que “na Amazônia, a paca é uma das espécies mais caçadas e figura entre as espécies preferidas e mais suscetíveis ao abate pelos moradores da Reserva Amanã”. 
 
Trabalhando com dados coletados desde 2002 pelo Sistema de Monitoramento de Uso de Fauna do Instituto Mamirauá, Jéssica explica que os próprios comunitários moradores da reserva trabalham como agentes coletores destas informações. “Fizemos uma classificação de idade das pacas caçadas baseada nos crânios coletados por moradores da Reserva Amanã. A partir do número de dentes eclodidos, foi possível saber se o indivíduo caçado já havia atingido a maturidade ou não”, diz Jéssica.
 
 Esses dados permitem pensar o uso do recurso de caça e a pressão que a população de pacas pode sofrer. O número de adultos abatidos representa 73,3% do total, mas o número de imaturos abatidos vem aumentando. “Este fato corrobora com o aumento na proporção de fêmeas prenhas ao longo dos anos, possivelmente uma resposta da população que pode suprir as taxas de retirada de indivíduos imaturos. Embora seja difícil mensurar se este recrutamento é capaz de recuperar as populações de paca, relatos dos comunitários sobre a escassez da espécie nas áreas de caça indicam que os abates podem estar propiciando níveis de caça insustentáveis”, concluiu o resumo. “O trabalho é importante por isso: estamos falando de uma unidade de conservação onde os moradores dependem do uso de recursos da fauna para alimentação durante todo o ano”, completa Jéssica.
 
Já Mirela Alencar apresentou o painel Agricultores familiares e a produção das espécies frutíferas e hortaliças comercializadas na feira municipal de Tefé – AM, orientado por Fernanda Viana e Angela Steward.  Ao avaliar sua participação no programa, Mirela é enfática: “Eu sou agricultora e eu mesma pude me aprofundar mais ainda neste universo da agricultura, do tradicional para o científico. Para mim foi uma experiência muito boa participar do programa, superando minhas expectativas. Conhecer de forma mais teórica essas questões me enriqueceu”, diz ela.  
 
Mirela mostra em seu resumo que “o objetivo deste estudo foi conhecer o perfil dos agricultores familiares que comercializam sua produção no espaço da Feira Municipal de Tefé, bem como compreender como é realizado o manejo de frutíferas e hortaliças pelos agricultores desta região, além de obter informações sobre o uso de agrotóxicos e conhecer um pouco mais sobre as espécies que são cultivadas por eles”. Partindo da perspectiva do agricultor, discutiu-se o uso das hortaliças e dos frutos produzidos, indicando usos medicinais e alimentares bastante diversos.
 
Mercado municipal de Tefé (AM) Autor: Josivaldo Modesto
 
Os dados apresentados no resumo apontam “que o uso de agrotóxicos e adubos químicos é bastante difundido entre os agricultores da região”. Essa questão está relacionada com a qualidade dos alimentos que são comercializados e consumidos pela população. Mirela acrescenta que “o uso de agrotóxicos é relevante para ser discutido, porque envolve a saúde da população, tanto das pessoas que produzem os alimentos quanto das pessoas que consomem eles. Também é importante para que sejam tomadas medidas para reduzir o uso destes insumos, sendo recomendável estratégias de extensão que tragam informações que permitam a realização de um controle natural de pragas. A ideia é difundir a informação para o poder público para que eles tenham conhecimento sobre os resultados que encontramos, de forma que estes resultados apoiem as ações que vem sendo desenvolvidas”.
 
Estes dois trabalhos são exemplos de que a troca de experiências entre o orientador e o bolsista é importante para ambos. “Para mim, orientar a Mirela foi muito gratificante. Sabemos que é um trabalho que vai retornar para a população de Tefé. Nós amadurecemos muito com essa pesquisa. Não sabíamos no começo o melhor jeito de conduzir as perguntas, sem deixar as pessoas com receio de falar certas coisas... O fato da Mirela conhecer as pessoas, ser agricultora e ter desenvoltura com a pesquisa facilitou o acesso aos agricultores e a abertura da discussão com eles, o que enriqueceu muito a pesquisa. Nós conseguimos hoje com este trabalho ter um diagnóstico do que é a feira, especialmente nesta parte do manejo da produção e sobre o uso de insumos (agrotóxicos e adubos químicos) nos cultivos agrícolas de frutíferas e hortaliças. Esperamos que esta pesquisa sirva de subsídio, no sentido de apoiar a busca de novas alternativas para o controle de pragas e de informar sobre o perfil dos agricultores da feira, favorecendo a segurança alimentar e nutricional destes agricultores e da população da região”, diz Fernanda Viana. 
 
Por Vanessa Eyng

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