Grupo de pesquisa em Mamíferos Aquáticos soma resultados dos trabalhos realizados em 2015

Publicado em: 12 de novembro de 2015

Durante o ano de 2015, a equipe do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos alcançou bons resultados. Entre as atividades realizadas neste ano, o destaque foi para a soltura de seis peixes-boi amazônicos, que estavam em processo de reabilitação, ao ambiente natural. Após dez meses de monitoramento, os pesquisadores comemoram a adaptação dos animais à vida livre.

“A soltura que fizemos neste ano foi diferente da última. Foi num espaço amplo e os animais tiveram mais tempo para se adaptarem melhor ao ambiente, até a água subir, com o ciclo do rio, e eles puderam escolher quando e para onde sair”, disse Miriam Marmontel, coordenadora do grupo de pesquisa do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

De acordo com Miriam, a iniciativa teve sucesso. Antes da soltura, foram adaptados às caudas dos peixes-boi cintos que emitem sinais de rádio que podem ser rastreados pelos pesquisadores. A equipe mantém o monitoramento regular dos animais por telemetria, o que contribui para indicação das rotas de deslocamento dos animais.

Em setembro, Piti, o peixe-boi que permaneceu mais tempo em reabilitação, fez a rota migratória dos nativos, fato que, de acordo com os pesquisadores, pode indicar que ele tenha encontrado outros peixes-boi para acompanhar. Os demais animais também continuam com o sinal ativo, apenas duas fêmeas preocupam a equipe, por emitirem sinais na mesma região já há algum tempo.

No Centro de Reabilitação de Peixe-Boi Amazônico de Base Comunitária, mantido pelo Instituto na Reserva Amanã, permanecem duas filhotes órfãs em reabilitação, com o acompanhamento da equipe formada por biólogos, veterinário e comunitários.

Atividade mantida pelo grupo, ao longo dos anos, é a participação no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic). Atualmente, seis bolsistas participam de projetos. Entre eles, Miriam destaca os projetos de foto-identificação de botos no porto de Tefé (AM), análise de ossos pélvicos do tucuxi e da fórmula vertebral do boto vermelho, e análise de conteúdo estomacal de botos e ariranhas.

Outra iniciativa importante foi o envolvimento do Instituto Mamirauá na discussão sobre o envio de peixes-boi do Brasil para reintrodução na ilha de Guadalupe. Mais de 12 instituições atuantes no Brasil se uniram para reivindicar a revogação da decisão. Foi enviado um documento para o Ibama e protocolada uma representação no Ministério Público Federal do Estado de Pernambuco, onde os animais estão atualmente em processo de reabilitação. 

“A ideia de rede é muito forte ultimamente. Temos mais chance de conseguir um resultado mostrando essa integração e união de várias capacidades.  Com esse envolvimento todo, o grupo se fortaleceu e lutou pela conservação e isso é muito positivo”, disse Miriam. De acordo com a pesquisadora, estudos demostram diferenças entre as espécies das duas regiões, o que indica o risco do envio dos animais do Brasil para a ilha francesa.

Para 2016, o grupo planeja novas atuações. Entre elas, estão projetos em parceria com a World Wide Fund for Nature (WWF) e a Universidade Federal do Amazonas (Ufam). As propostas visam implementar a utilização de drones para alcançar áreas de difícil acesso, por exemplo. “Essa tecnologia pode ser usada em muitos dos nossos projetos. Para estimativa populacional de botos, em áreas de praia, ninhos de quelônios, jacarés, mudanças na floresta, são várias as possibilidades”, disse Miriam.

Reconhecimento

Em maio, o Instituto Mamirauá venceu o Prêmio Nacional da Biodiversidade, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente. A iniciativa “Conservação do Peixe-boi Amazônico” ganhou dois troféus: um pela vitória na categoria academia, e outro, pelo primeiro lugar na votação do júri popular.  A cerimônia de premiação foi no Palácio do Itamaraty, em Brasília (DF). O prêmio da categoria de votação popular foi entregue pela Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Da escolha online participaram 63 mil pessoas. Foram 888 iniciativas inscritas, 18 finalistas e sete vencedores. 

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