Geração de conhecimentos tradicionais para jovens de Tefé é tema de pesquisa

Publicado em: 27 de novembro de 2013

Identificar se os conhecimentos tradicionais da pesca e da agricultura estão sendo transmitidos aos jovens do interior de Tefé (AM). Esse foi o objetivo da pesquisa desenvolvida pelo Instituto Mamirauá, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), intitulada “Processo de Aprendizado de Jovens de origem rural e residência urbana na região de Tefé”. O trabalho é de autoria de Jefferson Pires da Silva, estudante de ensino médio da Escola Estadual Deputado Armando de Souza Mendes.

O projeto descreve as capacidades e/ou habilidades de jovens de origem rural e residência urbana, o processo por meio do qual eles desenvolveram essas habilidades e seus planos futuros, analisando o processo de sucessão geracional. Jefferson entrevistou 66 jovens, entre 15 e 28 anos, provenientes das comunidades do interior e que residem em Tefé. A média da faixa etária dos entrevistados é de 20 anos, 40 do sexo masculino e 26 do feminino.

Quanto às práticas agrícolas e de pesca, apenas quatro não ajudavam ou desenvolviam nenhuma atividade com os pais. 21 ajudavam ou trabalhavam na pesca e 37 na agricultura, sendo que quatro ajudavam em ambas as atividades. Os principais transmissores dos conhecimentos são os pais e os avós. No que se refere à pesca, 64% dos jovens afirmaram ter aprendido com o avô. Em relação à agricultura, 36% dos entrevistados relataram que o conhecimento da prática agrícola veio da mãe.

Os jovens comunitários que residem em Tefé, apesar do pouco contato com sua comunidade onde exerciam a prática de atividades agrícolas, ainda detém conhecimento para a prática da pesca e da agricultura. “Esse processo de aprendizagem foi transmitido ainda muito cedo através da prática, ao acompanharem os pais ou avós. Os jovens observavam e depois reproduziam o que aprendiam. Com o tempo, acabaram se aperfeiçoando nessas atividades”, concluiu o estudante.

A pesquisa também mostrou que os jovens optaram por migrar para a cidade na tentativa de conseguir melhora na qualidade de vida por meio dos estudos. 12 entrevistados gostariam ou pensam em retornar para sua comunidade após concluírem os estudos. Segundo Jefferson, essa migração sempre aconteceu, embora tenha se intensificado nos últimos anos. Também foi possível constatar que alguns dos irmãos desses jovens continuam na comunidade, o que indica que a sucessão geracional ainda ocorre nas comunidades.

Para Nelissa Peralta, orientadora da pesquisa, o foco do projeto é acompanhar jovens que tem uma origem rural e vieram para o município de Tefé, buscando entender se eles mantém suas práticas tradicionais como pesca, agricultura e caça. “A pesquisa busca entender se o afastamento desses jovens prejudica a geração do conhecimento tradicional, principalmente para essas práticas”, afirmou Nelissa.

Texto: Francisco Rosa

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