Futuros Agentes Ambientais Voluntários são avaliados nas Reservas Mamiruá e Amanã

Publicado em: 21 de novembro de 2014

Uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável é uma área que concilia preservação ambiental e sistemas sustentáveis de uso dos recursos naturais. As comunidades tradicionais que vivem nessa região possuem papel importante para a manutenção e preservação da área, que oferece as condições para o usufruto dessas populações. Com o objetivo de contribuir para as ações de preservação da área e mobilização social, 38 comunitários participaram da avaliação para se tornarem Agentes Ambientais Voluntários, que aconteceu entre 07 e 11 de novembro.

Os 38 comunitários avaliados fazem parte de 16 comunidades das Reservas Mamiruá e Amanã. A avaliação é feita por técnicos do Instituto Mamirauá, gestores do Centro Estadual de Unidades de Conservação (Ceuc) e comunitários. Quando bem avaliados, os candidatos recebem credenciamento que possui validade de dois anos, concedido pelo Ceuc, como Agentes Ambientais Voluntários.

“Após o credenciamento,  o agente recebe formação contínua em proteção ambiental nas temáticas de educação e legislação ambiental, além de gestão participativa. Recebem também treinamentos em técnicas de abordagem, com foco nas funções de vigilância das áreas. Trazemos conteúdos que são do dia a dia das comunidades. Ele deve ser uma pessoa que sabe lidar com os comunitários, mediar as questões de conflitos, além de ser um mobilizador social”, afirma Hudson da Silva Araújo, da equipe de Proteção Ambiental do Instituto Mamirauá.

Os comunitários participaram da oficina de formação realizada em agosto, quando projetaram um plano de ação que deveria ser executado em três meses. A execução desse plano, assim como o desempenho, envolvimento e engajamento do futuro agente são avaliados durante o processo.

“É uma formação para a cidadania, para que eles repassem esses conhecimentos nas suas comunidades e setores, com o fim de fortalecimento das organizações sociais. O agente ambiental hoje tem um papel muito importante de revitalizar a base organizacional de como foram criadas as comunidades: como um bem comum, tanto o espaço, quanto os recursos e a repartição dos bens”, reforça  Raimundo Ribeiro Romaine, do Ceuc.

Nilcinei Vieira dos Santos, da comunidade Bom Jesus do Baré, na Reserva Amanã, é engajado desde a infância, quando atuava como um agente mirim. Ele participou da avaliação, junto com outros três futuros agentes da comunidade, que pretendem atuar em conjunto com os demais comunitários para garantir melhorias na qualidade de vida da população de Bom Jesus do Baré. Um dos tópicos apontados no plano de ação do grupo foi melhorar a gestão de resíduos sólidos e conscientizar sobre o descarte correto de lixo, contribuindo com mutirões de limpeza, criando um espaço para descarte que seja adequado ao ambiente em que vivem, evitando a possível proliferação de doenças.

“Aqui na comunidade não tínhamos um Agente Ambiental Voluntário. Nosso grupo atua em parceria com os professores, a criançada, os comunitários. Me sinto uma pessoa importante para o futuro das crianças, muito importante para a comunidade e para a preservação do meio ambiente. Estou começando esse trabalho aqui, quero uma comunidade mais limpa, mais zelosa pelo futuro das crianças, e pelo nosso futuro também”, ressalta Nilcinei.

Romani reforça que o agente ambiental tem importante papel de atuar como educador e mobilizador nas comunidades, não só para a questão do meio ambiente, mas também do alcance das políticas públicas provenientes dos municípios ou instituições parceiras. E atua como uma liderança para ajudar a fortalecer o diálogo entre instituições e comunidade, buscando facilitar o alcance dessas políticas públicas para a sustentabilidade nas comunidades.

Nessa edição, também participam da formação como Agentes Ambientais Voluntários sócios das pessoas da Colônia Z23 de Alvarães e Z4 de Tefé. Esses futuros agentes, embora oriundos da zona urbana, fazem parte dos acordos de pesca e também são usuários dos recursos naturais das reservas. “Esses membros das colônias de pescadores urbanos estão envolvidos nos projetos de manejo de pesca, participando de todas as etapas, e contribuindo para a preservação”, afirma Hudson.

Estas ações fazem parte do projeto “Participação e Sustentabilidade: o Uso Adequado da Biodiversidade e a Redução das Emissões de Carbono nas Florestas da Amazônia Central” –BioREC – desenvolvido pelo Instituto Mamirauá com financiamento do Fundo Amazônia.

Texto: Amanda Lelis

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