Feiras do pirarucu de manejo serão realizadas em Alvarães e Tefé

Publicado em:  2 de dezembro de 2016

No próximo fim de semana, nos dias 3 e 4 de dezembro, pescadores realizam mais duas feiras para a venda do pirarucu manejado em municípios do Amazonas, uma em Tefé e outra em Alvarães. Em Tefé, a feira será realizada na praça Túlio de Azevedo, em frente ao Banco do Brasil. a partir das 6h da manhã E, no município de Alvarães, a feira acontece na Feira do Produtor, no mesmo horário. O produto oferecido nos eventos é resultado do manejo comunitário realizado pelos pescadores dos acordos de pesca do Jarauá e do Pantaleão. O trabalho conjunto entre o Instituto Mamirauá e os manejadores tem garantido o sucesso do manejo do pirarucu em áreas protegidas do estado.

Há 17 anos, a equipe de técnicos do Programa de Manejo de Pesca do Instituto - unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações - trabalha junto com os manejadores de pirarucu nas Reservas Mamirauá e Amanã.

De acordo com Ruiter Braga, técnico do Instituto Mamirauá, com o passar dos anos foram observados resultados positivos da parceria. “Um avanço foi que eles se conscientizassem e mudassem de atitude, deixando a prática da pesca predatória e aderissem às atividades de manejo pesca. E também vemos outros resultados como a recuperação e multiplicação dos estoques pesqueiros e a adesão às tecnologias para melhoria da qualidade do pescado”, comentou.

Neste ano, os manejadores lançaram a campanha “Pirarucu, só se for legal”, visando incentivar os consumidores da região a comprarem o peixe proveniente do manejo. No estado do Amazonas, a pesca e comercialização do pirarucu são autorizadas pelo Ibama apenas provenientes do manejo participativo ou da criação em viveiros. A proibição, no entanto, não tem conseguido barrar o avanço da venda ilegal do produto.

Em outubro, foi realizada uma Feira do Pirarucu Manejado no município de Tefé, foram vendidos 81 peixes, o equivalente 3.631kg de peixe inteiro eviscerado, que rendeu o faturamento de mais de 22 mil reais para os manejadores do Acordo de Pesca do Pantaleão, que organizou o evento. Essas ações contam com recursos do Banco da Amazônia e do Governo Federal para sua realização.

Atualmente são 40 comunidades das Reservas Mamirauá e Amanã com projetos de manejo implementados e três colônias de pescadores e um sindicato da zona urbana (Tefé, Alvarães e Maraã) que participam da Assessoria Técnica com o Instituto Mamirauá e mais sete comunidades em vias de implementação. Essas comunidades compõem os 11 projetos de manejo atualmente em vigor e os dois que serão implementados nos próximos anos.  Participam desses projetos cerca de 1600 pescadores.

Mais de duas mil pessoas foram capacitadas nos últimos quatro anos nas oficinas de elaboração de regimento interno, de comercialização, de monitoramento de produção e boas práticas de manuseio do pescado, de noções básicas de gerenciamento financeiro e prestação de contas. Além dessas, também é oferecida a oficina de educação para o manejo e do curso de metodologia de contagem, que abrem vagas também para participantes de outras unidades de conservação ou outras áreas fora das Reservas Mamirauá e Amanã que tenham interesse em aprender sobre o manejo participativo do pirarucu.

Walter Luiz Ferreira de Araújo faz parte da diretoria executiva da Colônia Z4 de Tefé, responsável pela tesouraria da colônia de pescadores. Walter está envolvido no manejo desde o primeiro acordo feito entre os pescadores da zona rural com os pescadores da zona urbana. Ele conta que é pescador há 20 anos e observa, durante o trabalho, as mudanças no ambiente em função da pesca sustentável.

“Estou nesse trabalho desde 2005, quando começamos a dar os primeiros passos do manejo, junto com o acordo do Pantaleão. Antes do manejo, nós não tínhamos nada. E, no decorrer do segundo ano de manejo, a gente já viu que havia um resultado muito grande, por causa do trabalho do acordo de pesca. Hoje, não só através desse acordo, mas dos outros também, a gente vê que as comunidades estão abastecidas de produtos nos seus lagos, nos rios. A gente vê abundância, vê a fartura, e isso através dos acordos de pesca”, comentou Walter.

Ruiter ressalta que o trabalho de assessoria técnica do Instituto Mamirauá valoriza o conhecimento tradicional dos pescadores. “Avalio como uma experiência bem-sucedida, pois o instituto conquistou a confiança desses pescadores, contribui com o conhecimento técnico-científico prestando assessoria e eles seguem as orientações técnicas utilizando seus conhecimentos tradicionais”.

De acordo com o manejador, o trabalho é conjunto entre os envolvidos no acordo de pesca e os técnicos do Instituto Mamirauá. “Eu creio que é dos dois lados, eles aprendem um pouco com a gente e nós aprendemos muito com eles também. Muitos trabalhos que a gente não tinha conhecimento do que precisava fazer, eles continuam nos incentivando. Estamos numa área de unidade de conservação e o Instituto Mamirauá sempre tem sido um parceiro, mostrando os melhores caminhos por onde a gente tem que ir, até onde a gente pode chegar”, contou.

Manejo de 2015

No último ano, foram comercializadas 615 toneladas de pirarucu manejado, equivalente a mais de onze mil peixes, o que representou 88,5% da quota autorizada para o ano pelo Ibama. Esse trabalho resultou num retorno de mais de dois milhões e quinhentos mil reais em faturamento total para os grupos participantes da atividade. Todo o retorno financeiro do manejo de pesca vai para os grupos realizadores da atividade. Para o manejo de 2016, foi autorizada a quota de captura de 14.495 peixes, referente às onze áreas de manejo localizadas nas Reservas Mamirauá e Amanã, além do setor Capivara, que fica fora do limite das duas unidades de conservação.

Texto: Amanda Lelis

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