Estudo identifica distribuição da inundação e tipos de vegetação na Reserva Mamirauá

Publicado em: 13 de dezembro de 2013

Combinações inusitadas entre as formações vegetais de várzea e os padrões de inundação podem ser um bom indicativo de associações incomuns. É o que indica um estudo conduzido pelo Instituto Mamirauá que teve por objetivo caracterizar a distribuição dos principais tipos de vegetação e dos padrões de inundação de Mamirauá. As análises foram possíveis com a utilização de métodos estatísticos e de sensoriamento remoto com imagens de radar.
 
As imagens são capazes de fornecer dados da vegetação e, ao mesmo tempo, detectar a inundação debaixo do dossel florestal com uma relativa independência das condições meteorológicas (nuvens, chuva, dia ou noite). Utilizando esses dados e os de parcelas florestais mantidas pelo Instituto Mamirauá, uma metodologia de mapeamento foi elaborada baseada em técnicas estatísticas de mineração de dados e árvores de decisão.  “Alguns hábitats de Mamirauá podem tornar-se mais predominantes enquanto outros podem desaparecer completamente caso se confirmem as previsões de que mudanças climáticas aumentarão os períodos de seca e eventos extremos na Amazônia”, afirmou o geógrafo Jefferson Ferreira, um dos autores do estudo.
 
Os mapas revelaram o complexo mosaico de hábitats que formam a paisagem da Reserva Mamirauá e como os diferentes tipos de vegetação se relacionam com os padrões de inundação. A vegetação de chavascal apresentou períodos de inundação mais variados do que o reportado na literatura, desde menos de 40 dias até 295 dias por ano. “A hipótese levantada é que altas concentrações de argila no solo e/ou áreas de lençol freático muito próximo à superfície expliquem melhor a presença desse tipo de vegetação do que o tempo de inundação”, concluiu Jefferson. 
 
As áreas de várzea baixa, por outro lado, ocorreram predominantemente na classe identificada como 175 a 295 dias de alagamento por ano. Já as formações de várzea alta apresentaram maior frequência em áreas inundadas menos de 40 dias por ano. Além disso, cerca de 180 km² desse tipo de vegetação ocorreu em áreas mapeadas como não inundadas, mesmo quando o nível da água na reserva era muito alto (38,32 metros acima do nível do mar, durante a cheia de 2009). 
 
Segundo o geógrafo, este tipo de informação fornece uma base sólida para o estudo da distribuição das espécies de plantas e animais e do uso dos hábitats, uma vez que a composição e abundância de vários componentes da fauna de várzea estão associadas aos diferentes tipos de vegetação. Além disso, informações mais detalhadas sobre os padrões de inundação podem aumentar significativamente a eficiência de diversas iniciativas de manejo de atividades econômicas nas várzeas de Mamirauá. 
 
A pesquisa foi submetida à edição especial "Radar Remote Sensing of Globally Important Wetlands" do periódico científico internacional “Wetlands Ecology and Management”. A publicação deve ocorrer no início de 2014. O estudo é uma iniciativa do Instituto Mamirauá, em parceria com o Institucional Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa) e Universidade Estadual Paulista (Unesp).  Texto: Eunice Venturi
 

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