Estudo compara associação entre macaco-prego e macacos-de-cheiro na Reserva Mamirauá

Publicado em: 10 de setembro de 2013

A associação entre animais de espécies diferentes pode trazer benefícios como a diminuição do risco de predação e a melhoria na busca por alimentos. Um estudo conduzido pelos pesquisadores Rafael Rabelo e Fernanda Paim, do Instituto Mamirauá, analisou o compartilhamento de área de uso e recursos alimentares entre macaco-prego e duas espécies de macacos-de-cheiro (macaco-de-cheiro-comum e macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta). A conclusão é de que o compartilhamento acontece entre macaco-prego e macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta (espécie endêmica da Reserva Mamirauá).

Foram instaladas nove estações na área de ocorrência do macaco-de-cheiro-comum e oito estações na área do macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta. Ambas as áreas também são de ocorrência do macaco-prego. “Diariamente, as estações foram iscadas com bananas para atrair os primatas, representando uma fonte constante de recursos na estação seca. Os eventos de visitas dos primatas nas estações foram utilizados para determinar a ocupação das espécies nas áreas ao longo do monitoramento”, informou o biólogo Rafael Rabelo.

Cada estação foi monitorada por 34 dias. Apesar da proporção de estações ocupadas pelos primatas ter sido semelhante nas duas áreas amostradas, os primatas ocuparam mais tempo as estações da área de macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta. Outro resultado encontrado foi que macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta compartilhou mais as estações com macaco-prego, comparado a macaco-de-cheiro-comum.

Os resultados do estudo apontam que a oferta constante de recursos em uma escala local, especialmente na estação de menor disponibilidade de frutos, parece contribuir para uma maior estabilidade nessas associações entre as espécies. “Futuros estudos são necessários para investigar os diferentes padrões de associações encontrados e avaliar como mudanças nas condições ecológicas, geradas pelas alterações nos ciclos sazonais, podem afetar o tamanho da área de vida dos primatas e, consequentemente, a estabilidade e as consequências das associações”, afirmou Rafael.

Armadilhas fotográficas

Além do estudo que discutiu as associações entre espécies de primatas, Rafael também avaliou a eficiência de armadilhas fotográficas para amostragem da fauna arborícola da Reserva Mamirauá. As 17 estações de captura foram instaladas em pontos distantes, a cerca de dois quilômetros uma da outra, em ambientes de várzea alta e baixa. Cada estação consistia em uma plataforma construída a uma altura de 4 a 6 metros. Todas as estações receberam iscas diárias de bananas.

“As estações possuíram essa disposição e foram iscadas somente com bananas, pois foram construídas para fins de monitoramento da ceva e da captura de macacos-de-cheiro”, explicou Rafael. Os grupos mais representados foram os primatas e os roedores, ambos com quatro espécies. O animal mais registrado foi a mucura, com 188 registros, seguido pelo macaco-prego, com 102 registros, e pela mucura-chichica, com 70 registros. Dentre as outras espécies registradas destacam-se o endêmico macaco-de-cheiro-de-cabeça-preta, o quatipuru, o ouriço, o guariba e o gato-maracajá.

Segundo Rafael, ainda que uma amostragem ideal para a metodologia deva ser mais bem distribuída, abrangendo todos os tipos fisionômicos da floresta, esses resultados sugerem que armadilhas fotográficas têm potencial para estimativas de riqueza de mamíferos arborícolas, ou seja, que vivem nas copas das árvores, da várzea amazônica. Futuros estudos, com um desenho amostral adequado e com o uso de outros tipos de iscas, devem incrementar a lista de mamíferos arborícolas da Reserva Mamirauá registrados por armadilhas fotográficas.

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