Estratégias de conservação são discutidas em curso de pesca

Publicado em: 28 de junho de 2011

 28/06/2011 - Cerca de 30 pessoas participaram, entre os dias 23 e 27 de junho, do Curso de Gestão Compartilhada dos Recursos Pesqueiros, com foco em manejo de pirarucu, promovido pelo Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá. Durante cinco dias, os participantes, das mais diversas regiões da Amazônia, bem como do estado de Goiás e da Bolívia, puderem aprender com a experiência de manejo que está ajudando a recuperar os estoques de pirarucu e melhorando a renda das comunidades.
 De acordo com o filósofo Marcelo Appel, que trabalha com manejo de pirarucu há oito anos, o curso, além de ampliar os conhecimentos, trouxe uma possibilidade de intercâmbio para troca de experiências. "Às vezes, você está diante de um problema e não sabe como resolvê-lo. E também pode ser que alguém já tenha passado por dificuldade semelhante. Por isso, a troca de experiências é fundamental e evita que você fique "quebrando a cabeça", analisou.
 A programação teve início na quinta-feira, dia 23. Após a apresentação dos participantes, a coordenadora do Programa de Manejo de Pesca, Ellen Amaral, apresentou a "História e panorama geral do Manejo Participativo de Pirarucus nas Reservas Mamirauá e Amanã". Segundo Amaral, estudos foram realizados e mostraram que era possível conciliar a atividade manejada com a conservação da espécie e que o programa de manejo surgiu como uma medida compensatória às restrições de pesca previstas no plano de manejo . "Precisamos nos perguntar: o neto do pescador ilegal conhecerá pirarucu? A resposta é não geralmente. E o neto do manejador? Certamente verá", disse em referência à dificuldade de convencer as comunidades a aderir à pesca manejada.
 Em seguida, a bióloga Caroline Arantes falou sobre a biologia do pirarucu ressaltando a importância de se conhecer o ciclo de vida do animal para alcance do manejo ideal, possibilitando taxas de captura que não inviabilizem a manutenção dos estoques. Arantes também falou sobre a metodologia da contagem de pirarucu e o método utilizado para definição das cotas de manejo. Coube à Diretora de Manejo e Desenvolvimento do Instituto Mamirauá, a antropóloga Isabel Sousa, apresentar a importância do zoneamento e do levantamento socioeconômico nas áreas manejadas. Ainda foram discutidos aspectos da organização coletiva, por meio de associações, dos sistemas de vigilância e do licenciamento anual de pesca.

por Eunice Venturi

Últimas Notícias

Comentários

Receba as novidade em seu e-mail: