Especialistas emitem nota técnica sobre transferência de peixes-boi do Brasil para a Guiana Francesa

Publicado em:  7 de abril de 2015

Especialistas brasileiros em mamíferos aquáticos elaboraram uma nota técnica para que instituições públicas federais revejam a decisão de transferir cinco peixes-boi marinhos do Brasil para Guadapule, na Guiana Francesa. Segundo a nota, há poucos indivíduos distribuídos de forma fragmentada ao longo do litoral brasileiro e a transferência representaria a remoção de uma parcela significativa de peixes-boi do país. 
 
O peixe-boi marinho é classificado como espécie em perigo de extinção no mundo pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), e ameaçado no Brasil. Os espécimes que habitam a costa brasileira apresentam baixa diversidade genética e não compartilham haplótipos, ou seja, os blocos de DNA transmitidos em conjunto para os descendentes, com animais do Caribe. Sendo assim, tornam-se inadequados para um programa de reintrodução em Guadalupe. 
 
Um primeiro documento foi enviado ao Ministério do Meio Ambiente, ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) e ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em julho de 2014. Mais recentemente, 30 especialistas de mais de doze de instituições atuantes no Brasil protocolaram uma representação no Ministério Público Federal do Estado de Pernambuco, estado onde os animais estão atualmente em processo de reabilitação. 
 
Na opinião dos especialistas, “os animais em questão possuem grande importância para pesquisas e ações de conservação da espécie no país, podendo ser mantidos em um cativeiro em ambiente natural e até fazer parte de um programa de melhoramento genético brasileiro. O peixe-boi-marinho é uma espécie ameaçada de extinção, com áreas de baixa densidade populacional, distribuição atual descontínua, porém, com a população total desconhecida no Brasil”, afirmam em nota.
 
Segundo a pesquisadora Miriam Marmontel, líder do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto de Desenvolvimento Mamirauá, uma das especialistas que assina o documento, o envio dos animais brasileiros representa um retrocesso para a conservação desses animais: “Com a proposta de envio de representantes de nosso patrimônio natural nacional, até dezembro de 2014 considerados criticamente ameaçados, os governantes repassam à comunidade científica e ao público em geral uma lastimável mensagem de desinteresse pela fauna nativa do país e desconhecimento dos preceitos mais básicos de biologia da conservação. Antes de voltar os olhos para o além-mar, o Governo Brasileiro deveria envidar os maiores esforços e investir significativos recursos na melhoria de recintos de reabilitação e na destinação destes animais a um programa de repovoamento de nosso próprio litoral”
 
 
Edição: Eunice Venturi

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