Escolas de Tefé participam de palestras do Instituto Mamirauá sobre o manejo de recursos pesqueiros

Publicado em:  3 de novembro de 2016

No último mês, os técnicos do Instituto Mamirauá - unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações – visitaram as escolas de Tefé (AM), para apresentar aos jovens o manejo participativo dos recursos pesqueiros. A ação foi parte da programação da Feira do Pirarucu Manejado realizada em Tefé (AM). Durante as palestras, foram apresentadas as ações realizadas nas Reservas Mamirauá e Amanã há mais de 16 anos. Em 2016, o Instituto apoia os pescadores que participam do manejo em uma campanha que visa sensibilizar os consumidores a não adquirirem pirarucu que não seja proveniente do manejo. No estado do Amazonas, a pesca, o transporte e a comercialização do peixe são proibidos por lei, com exceção daquele proveniente de manejo ou de viveiros.

As equipes do Programa de Manejo de Pesca e do Núcleo de Educação Ambiental do Instituto esteve em sete escolas do município, conversando com os jovens do ensino fundamental. “As palestras são para sensibilizar a comunidade escolar com relação à conservação dos recursos naturais, mostrar que é interessante se preocupar com isso. Trazer o assunto para as escolas faz com que os jovens passem a refletir sobre isso no seu cotidiano: conservar os recursos, respeitar o defeso e o tamanho mínimo de captura. E eles se tornam multiplicadores, levam isso para suas famílias, seus amigos, para a comunidade”, contou Reinaldo Marinho, que é técnico do Instituto Mamirauá.

A representante da Secretaria Municipal de Educação, Elane Cristina, também comentou que a iniciativa é uma oportunidade de fazer com que os jovens levem a mensagem da conscientização para os familiares. “Eles vão conhecer o manejo, que está ajudando os ribeirinhos a conseguir uma renda. É uma forma de conscientizar nossos alunos para que eles tenham noção da importância dessa conservação, para que não comprem o peixe retirado de forma clandestina, antes do tempo”, disse.

Denis de Pio Mendonça é pescador na Colônia Z23 de Alvarães e faz parte do grupo que organiza a Feira do Pirarucu Manejado em Tefé (AM). O pescador conta que desenvolve essa atividade desde criança, quando aprendeu com o pai as técnicas e estratégias da pesca. Há muitos anos trabalhando com o manejo participativo, Denis fala das melhorias sociais trazidas pela prática do manejo. “Onde tem um acordo de pesca, ali, tem uma família de produtores, de pescadores, onde todos vivem num consenso só. Ali, um ajuda o outro e o retorno é para todo mundo. E sempre as pescarias dão 100% de aproveitamento”, disse.

O jovem Hugo da Silva Lopes, de 16 anos, cursa o 9º ano na Escola Municipal Helyon de Oliveira, e participou de uma das palestras do projeto. O jovem relata que é possível encontrar o peixe comercializado clandestinamente nos mercados e que a informação é a melhor maneira de combater essa prática. “Foi muito boa a palestra, vamos conseguir levar essas informações para fora da sala de aula e chamar as pessoas para a feira. O que achei mais legal foi a contagem do pirarucu. Eu achava que seria só pescar, colocar na feira, vender e pronto. Não sabia que tinha a contagem e um número certo de peixes para tirar”, disse.

Feira do pirarucu manejado

Com o objetivo de apresentar para a população local o produto de manejo, os pescadores do Acordo de Pesca do Pantaleão realizaizaram a 11ª Feira do Pirarucu Manejado em Tefé. A feira aconteceu nos dias 14 e 15 de outubro, na praça Túlio de Azevedo. Além da programação diurna, também houve uma mostra gastronômica organizada pela secretaria municipal de Turismo, Comércio e Indústria. Durante a mostra foram vendidos pratos regionais que utilizam o pirarucu como ingrediente.

Denis reassalta a importância de que a população do município conheça de perto o trabalho realizado pelos manejadores. “Minha mensagem para a população de Tefé, e demais da região, é que sempre venham apreciar nossa feira. Mesmo que não comprem um quilo de peixe, venham apreciar o nosso produto, ouvir a gente explicando o porquê da feira, como a feira funciona, por que trabalhar com o peixe do manejo. Isso eu acho que é bastante gratificante como pescador. Chegar uma pessoa e dizer: você é lá do acordo de pesca? O seu peixe está muito bonito, de qualidade! Pra mim, isso é a resposta do meu trabalho”, contou.

De acordo com a jovem Samila Morais, de 17 anos, que também é aluna da Escola Municipal Helyon de Oliveira, muitos consumidores compram o produto comercializado ilegalmente por não conhecerem a legislação e por não saber das vantagens do manejo para a manutenção da biodiversidade da região. “Eu gostei da palestra, porque sabia que a pesca era proibida, mas não sabia o porquê. Quando era pequena, lembro que meu pai pescava. A gente pensava que não podia tirar todos os peixes, mas não entendia o porquê. Agora sei a importância do manejo. Vou contar para o meu pai. A gente não tinha noção de como era importante esse projeto”, disse Samila.

O técnico do Instituto Mamirauá reforça que o objetivo da feira é, além de apresentar o produto de manejo, também divulgar que “o pescado manejado colabora com a conservação dos recursos naturais e colabora com os pescadores”, incentivando a prática de uma atividade sustentável, que contribui para o desenvolvimento local.

Além da feira realizada em Tefé no último mês, também serão feitos outros dois eventos nos municípios de Maraã e Alvarães até o fim do ano. Essas ações contam com recursos do Banco da Amazônia e do Governo Federal para sua realização.

Texto: Amanda Lelis

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