Equipe de Educação Ambiental explora diferentes ambientes como espaços didáticos

Publicado em:  4 de setembro de 2015

Em agosto, a equipe de Educação Ambiental do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, realizou uma série de atividades didáticas e de manutenção do viveiro que está instalado junto à Escola Municipal Maria Celestina na comunidade Ingá, no município de Uarini (AM).

Durante a visita, também aconteceu uma reunião com a comunidade para tratar sobre o andamento do viveiro, a percepção e o envolvimento dos comunitários com o projeto, e a possibilidade de restauração florestal em algumas áreas da comunidade.

Na ocasião, foram escolhidos dois espaços para o plantio das primeiras mudas do viveiro, que serão no Igarapé Santo Amaro e no "Campo do seu Messias". "Os lugares escolhidos para o plantio envolvem áreas de várzea que possibilitam o monitoramento do crescimento, além de serem acessíveis às crianças acompanharem", afirma a educadora ambiental do Instituto, Eliane Neves. O viveiro possui cerca de 334 mudas de plantas, por exemplo, louro-inamuí, samaúma, jitó, piranheira, tarumã, muiratinga, mulateiro, que em breve estarão em condições de plantio.

Para Eliane, o viveiro educativo precisa estar conectado ao cotidiano da comunidade, e de suas necessidades. "A questão do envolvimento das comunidades é um processo de médio a longo prazo. Sabemos que a participação em qualquer iniciativa coletiva deve fazer sentido à comunidade. Quando falamos só do plantio, pode ser entendido apenas como mais uma tarefa do dia-a-dia, mas, se falarmos em aprendizado e outras possibilidades, até de prover renda a partir de manejo, o sentido começa a mudar", afirma.

Além disso, as educadoras ambientais, Claudia Santos e Eliane Neves, compartilharam com a comunidade conteúdos didáticos que auxiliam para a formação dos professores, visando melhor desempenho dos alunos, assim como a utilização do viveiro como espaço de aprendizado.

De acordo com Eliane, esses conteúdos estão relacionados à realidade local para que os alunos conheçam mais sobre a região. "Levamos atividades que busquem a valorização do conhecimento tradicional aliada ao aprendizado. Por exemplo, realizamos um teatro de fantoches baseado na obra ‘O livro das árvores , da nação indígena Ticuna. Nesse teatro são resgatadas espécies florestais da terra firme e várzea, no qual a Curupira, personagem folclórica, protetora das florestas, dialoga com a Samaúma, conhecida como a árvore-mãe da floresta amazônica" afirma.

As atividades desenvolvidas foram distintas para os alunos de educação infantil e do ensino fundamental. Para o grupo de educação infantil, foram entregues desenhos para colorir da Curupira, trabalhando o reconhecimento das cores e a criatividade das crianças. E para os alunos do ensino fundamental, foi preparada uma folha de exercícios relacionados à temática do viveiro, além de um jogo que os alunos precisavam montar as palavras citadas durante o teatro.

A educadora ambiental reforça que os exercícios são formas de estimular a criatividade, a escrita e, principalmente, a curiosidade sobre a região que residem. Uma das atividades propostas foi que os jovens escolhessem um lugar especial da comunidade para uma aula diferenciada. No espaço, as educadoras ambientais contaram histórias para depois discutirem os elementos abordados. De acordo com a equipe, é uma maneira de incentivar os professores a explorarem os espaços da comunidade para o aprendizado.

"O projeto trabalha o incentivo aos professores para que saiam do espaço da sala de aula e explorem o ambiente rico de suas comunidades, através de uma mudança de olhar. É olhando a terra, os igarapés, os animais, os frutos e sementes, tão ao alcance, que o conhecimento pode ser explorado, e o aprendizado torna-se mediado pela realidade vivida" completa Eliane.

Essas ações fazem parte do projeto “Participação e Sustentabilidade: o Uso Adequado da Biodiversidade e a Redução das Emissões de Carbono nas Florestas da Amazônia Central” – BioREC – desenvolvido pelo Instituto Mamirauá com financiamento do Fundo Amazônia.

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