Em oficina, é discutida educação ambiental para entendimento de mundo e mediação de conflitos

Publicado em: 18 de julho de 2016

Na última semana, foi realizada a oficina “Educação ambiental para quê?”, na sede do Instituto Mamirauá em Tefé (AM). A oficina foi a extensão das atividades do 13º Simpósio sobre Conservação e Manejo Participativo na Amazônia (Simcon). Nos dois dias, quinta e sexta-feira, os cerca de 20 participantes discutiram os conceitos da educação ambiental, o perfil do educador, as aplicações desse trabalho, além de ferramentas e metodologias que podem contribuir para essa atuação.

A oficina foi mediada por Eliane Neves, Cláudia Santos e Claudioney Guimarães, educadores ambientais do Instituto Mamirauá. “A ideia da oficina é levantar o conceito da educação ambiental e também trabalhar a leitura de mundo. Uma das propostas da educação ambiental é a gente ler o mundo não só por um viés, mas por vários, olhar para questão ecológica, cultural, política, social e econômica”, disse Eliane.

Durante as atividades, os participantes conheceram o Diagnóstico Rural Participativo (DRP), um conjunto de técnicas que auxilia que as comunidades sejam precursoras do seu planejamento e desenvolvimento, a partir de uma análise e diagnóstico feito pelos atores desta comunidade.  “A gente está estimulando aqui, com algumas atividades, muitos métodos trabalhados com DRP. Estamos, na prática, fazendo um método participativo, trazendo alguns assuntos para discussão e com a participação das pessoas aqui que a gente vai construindo a ideia e o conhecimento sobre educação ambiental”, comentou Eliane.

Entre os assuntos abordados, esteve a colaboração da educação ambiental para a mediação de conflitos. Foram apresentados fatos atuais de movimentos de resistência a grandes empreendimentos, como é o caso de projetos de implementação de hidrelétricas em áreas com populações residentes. Durante a apresentação, Eliane comentou sobre a importância de se compreender os diversos atores envolvidos nesse contexto e quais as forças, poderes e interesses de cada um desses grupos na sociedade, para atuar de forma eficaz com a educação ambiental.

“Nesses conflitos, a gente sabe que tem vários atores, tanto as populações afetadas, que no caso da Amazônia são as comunidades indígenas e ribeirinhas, e também o outro lado que são as empresas e suas visões. Ter esse olhar interdisciplinar, olhar para todos os lados, é a maior contribuição que a educação ambiental pode dar. É a leitura de mundo, a leitura dos fatos, do que está ocorrendo em sua comunidade, em sua cidade. O que está acontecendo naqueles conflitos? Quem está disputando esse território? Quem vai ser ameaçado com esse empreendimento? Quais são os prejuízos?”, contou a educadora ambiental.

Essa ação conta com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Texto: Amanda Lelis

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