Em Manaus, evento reúne especialistas pela conservação de botos amazônicos

Publicado em: 12 de junho de 2017

Cinco países da Amazônia e uma espécie chave: o boto vermelho. Entre os dias 12 e 14 de junho, especialistas em mamíferos aquáticos reúnem-se em Manaus para discutir estratégias de conservação para a espécie de golfinho fluvial amazônico.  O Instituto Mamirauá, que atua há mais de vinte anos no estado do Amazonas, vai compartilhar as experiências bem-sucedidas e os resultados de pesquisas já realizadas.

O workshop “Estratégias Regionais para Estudo e Conservação dos Botos da Amazônia é realizado pelo WWF-Brasil. Além do Instituto Mamirauá - que atua como uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações - também participarão a Fundación Omacha da Colômbia, a FaunAgua da Bolívia, o Pro Delphinus do Peru, e o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Cepam/ICMBio) e profissionais dos escritórios WWF do Brasil, Peru, Bolívia, Equador e Colômbia.

De acordo com Miriam Marmontel, pesquisadora do Instituto, a ideia é “envolver cinco países em função do boto e, a partir daí, discutir sobre gaps do conhecimento”. Miriam destaca que há lacunas de conhecimento, as quais ela chama de gaps, sobre as espécies de botos amazônicos. A união de especialistas de diferentes regiões e instituições poderia contribuir para a criação de uma estratégia regional. “Porque, afinal, o animal sofre as mesmas ameaças em todos os países, existem os mesmos tipos de gap de distribuição, dinâmica populacional, então são pontos nos quais se pode começar a atuar em conjunto. Existe muita expertise na região, mas este conhecimento está disperso”, contou.

O esforço em unir os especialistas para uma iniciativa em conjunto é o principal objetivo do evento, como destaca um dos organizadores, o especialista de conservação do WWF-Brasil, Marcelo Oliveira. "Queremos reunir esses pesquisadores para formar um grupo de governança e formatar uma iniciativa regional de conservação desses animais", disse.

Desde 1993, o Instituto Mamirauá atua na região Amazônica com pesquisas sobre os botos amazônicos. Na época, as pesquisas eram pontuais, com estudos da carcaça de animais encontrados mortos na região de Tefé (AM) e da Reserva Mamirauá. Em 2011, os trabalhos se intensificaram com a realização de expedições para estimativa populacional da espécie. Desde então, os pesquisadores já percorreram os rios Tefé, Purus, Tocantins, Juruá, Juami-Japurá e Tapajós e todo o entorno da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, nos rios Solimões e Japurá.

Miriam destaca que o encontro visa fortalecer uma rede de contatos entre as instituições para o planejamento de potenciais ações conjuntas. “Acompanho a parte científica e são poucas as contribuições de outros países. Sabe-se das dificuldades financeiras, existe muito interesse em pesquisa, mas não há muito recurso disponível. Então, são muito pontuais e incipientes os trabalhos. O encontro será importante para se empoderar, reconhecer o que está sendo feito e que pode ser feito e, juntos, fazer um grande esforço de captação de recursos para essa iniciativa realmente regional”, comentou a pesquisadora.

No Amazonas, são duas espécies de botos conhecidas pela ciência, o boto vermelho e o tucuxi. A lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, em inglês), que relaciona espécies vulneráveis à extinção, classifica o boto vermelho (Inia geoffrensis) e o tucuxi (Sotalia fluviatilis) com “dados insuficientes”, em decorrência da limitada quantidade de informações sobre suas populações, ecologia, taxas de mortalidade, entre outras. O boto vermelho já foi classificado anteriormente como “vulnerável” à extinção e, em 2008, teve seu status modificado em razão da carência de dados sobre a espécie; a nível nacional, entretanto, é considerado ‘ameaçado’.  Outras duas espécies de golfinhos fluviais amazônicos são a Inia boliviensis, endêmica da Bolívia, e Inia araguaiaensis, descoberta na bacia do Rio Araguaia, em Goiás, em 2014.

Tecnologia e conservação

Um dos projetos desenvolvidos atualmente pelo Instituto, em parceria com o WWF-Brasil, visa testar e aprimorar técnicas e metodologias para a utilização de drones em pesquisas científicas. O projeto integra a iniciativa Ecodrones Brasil e propõe estabelecer um protocolo para a realização de uma estimativa populacional de botos amazônicos.

A tecnologia será um ponto forte no workshop. Uma iniciativa que será apresentada é a utilização de “tags satelitais” para o monitoramento de botos em vida livre. “São transmissores, que permitem acompanhar os animais em longo prazo e, principalmente, remotamente, via satélite. Começaremos com um projeto pequeno em pontos estratégicos, para iniciar a gerar informações que, de outra forma, são bem difíceis de se obter, muito onerosas em termos de tempo, esforço de campo e equipe”, comentou Miriam.

De acordo com Marcelo, serão instalados cinco localizadores em bacias hidrográficas estratégicas nos cinco países. O planejamento é que os trabalhos iniciem no próximo semestre.

*com informações do WWF-Brasil.

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