Do Solimões até o estuário: rede de informações através do Ictio

Publicado em: 24 de julho de 2018

A água, os rios, a floresta e as pessoas. Na Amazônia esses elementos estão interligados em ambientes complexos, ricos e diversos. Na várzea do médio Solimões, a seca e a cheia marcam o nível das águas, resultado da enchente e da vazante dos rios. No estuário, as águas seguem outros ritmos. Além da influência dos rios, também existe a influência do embate entre as águas doce e salgada.

O conhecimento das pessoas, marcado pelas relações que têm com seus ambientes, é rico em ambos os casos. E conseguir proporcionar o diálogo entre esses dois ambiente e seus habitantes garante a troca de mais informações sobre os peixes migradores.

O Ictio, o aplicativo desenvolvido pelo projeto Ciência Cidadã para a Amazônia, vem promovendo essas discussões entre pessoas que vivem em vários pontos da Bacia Amazônica.  A equipe do Instituto Mamirauá, que está coordenando as ações do projeto Ciência Cidadã para a Amazônia no médio Solimões, foi convidada para acompanhar atividades desenvolvidas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Itatupã-Baquiá.

Três treinamentos foram realizados na reserva, dos dias 15 ao 17 de julho. As atividades ocorreram nas comunidades Santa Maria do Tauari, Belo Horizonte e São João. A reserva está localizada no estado do Pará, no estuário do rio Amazonas. Na região, a principal fonte de renda vem da venda do açaí e do camarão. A pesca ali é frequente, e os peixes são mais utilizados para o próprio consumo das famílias.

Antônio de Jesus Ferreira de Melo, de 52 anos, participou dessas atividades. Ele já colabora com um projeto de automonitoramento de pesca, e ficou bastante animado com o Ictio também. “Aqui a gente desenvolve a pesca de uma maneira sustentável. E aqui a gente tem umas espécies de peixe que estão passando por aqui, como o aracu, o pacu e a sardinha. É um prazer muito grande a gente estar nesse momento de reunião, e a gente estar juntos nesse monitoramento”, lembra Antônio.

As atividades também envolveram jovens que vivem na reserva. Tamilis de Nazaré de Souza Mendes, de apenas 13 anos, já estava ajudando os colegas durante o próprio treinamento. Tamilis pesca muito camarão, e também outras espécies das migradoras, como o pacu e o tambaqui. “Eu achei o Ictio um ótimo aplicativo. Ele fala de várias espécies. Eu até conheci espécies de peixe que eu nunca tinha visto, como o flamengo. Eu vou continuar usando”, fala animada.

Os treinamentos foram conduzidos conforme as discussões que já vem sendo realizadas no médio Solimões. “A oportunidade é muito boa para nós. Estabelecemos diálogos com pessoas que pescam em um ambiente diferente, que conhecem os peixes em outros estágios de desenvolvimento. Com isso conseguir dar mais um passo importante para dialogar em rede, em vários pontos da Bacia Amazônica”, avalia Vanessa Eyng, analista de pesquisa do Instituto Mamirauá.

O projeto Ciência Cidadã para a Amazônia é resultado do trabalho associado da Wildlife Conservation Society (WCS), Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), The Cornell Lab, Instituto del Bien Común, San Diego Zoo, University of Washington, Universidad San Francisco e Florida International University. Conta com o apoio da Fundação Gordan e Betty Moore e colabora com as iniciativas Águas Amazônicas, Movimento Río Vivos e Amazon Fish.

Texto: Divulgação 

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