Do campo para o laboratório

Publicado em: 17 de novembro de 2017

A bióloga paulista Fabiana Letícia de Oliveira começou a trabalhar no norte do Brasil com os jacarés amazônicos. E a mudança – para os estudos em ecologia florestal – não foi somente na área de pesquisa. Ela também trocou a rotina de passar 20 dias em campo para desenvolver boa parte do trabalho em laboratório. “O desafio foi me adaptar à rotina do laboratório. Com jacarés, eu trabalhava mais em campo, passava cerca de 20 dias na reserva. O trabalho era mais agitado, porque eu tinha que procurar ninhos de jacarés e fazer biometria dos ovos. Na ecologia florestal, ficava apenas uma semana em campo, onde eu coletava o material, e no restante do tempo fazia as análises no laboratório”, compara.

Essa mudança mostrou à pesquisadora que os dois locais de trabalho se complementam: “A importância do laboratório é justamente entender o trabalho de campo. Não adianta só coletar os dados, você precisa ter o trabalho de laboratório para fazer toda análise daquele serviço de campo. No meu caso, eu ia para a reserva fazer a coleta de material, e o trabalho de maior importância eu fiz no laboratório. Foi através desse trabalho que eu realmente soube o que a floresta estava produzindo, o quanto de folha que estava produzindo durante o mês, o quanto de material reprodutivo, de galhos, de miscelânea (que era todo aquele material que eu não conseguia identificar e também restos de animais). Sendo assim, essa é a importância”.

Fabiana, que trabalha com uma pesquisa de nome “complicado”, já se acostumou a explicar o que é essa tal de serapilheira: “Quando eu falo que trabalho com serapilheira, muita gente não entende, com isso, eu tento explicar para que a pessoa visualize o solo da floresta. Eu falo que é aquele material que fica no chão da floresta, folhas, galhos, flores, então, a serapilheira é a camada que protege o solo. Se não tivesse essa camada protetora, o excesso de chuva lavaria o solo, que ficaria sem nutrientes”. Uma parte importante do trabalho de Fabiana, assim como vários pesquisadores do Instituto Mamirauá, conta com auxílio dos assistentes de campo, geralmente moradores da reserva. “Ele [Erivan Lima de Castro] soube fazer as melhores adaptações para que o projeto realmente desses os resultados que deram até agora. Sou muito grata”, conta a pesquisadora.

Texto originalmente produzido para o livro “Protagonistas: relatos de conservação do Oeste da Amazônia”, que pode ser baixado em mamiraua.org.br/protagonistas. Desenvolvido no âmbito do projeto “Mamirauá: Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade em Unidades de Conservação” (BioREC) e conta com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Texto: Eunice Venturi

 

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