“Meu sonho é ser biólogo, é uma área que trabalha diretamente com a floresta”

Publicado em:  4 de novembro de 2019

Ediomar Costa de Souza, de 27 anos, tem muitos sonhos. Um deles foi estudar em outro local, distante de sua cidade natal, o município amazonense Carauari, que tem pouco mais de 28 mil habitantes. Sonho realizado entre os anos de 2017 e 2018, quando ele foi um dos alunos do Centro Vocacional Tecnológico (CVT) do Instituto Mamirauá – organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Ediomar é morador da Reserva Extrativista do Médio Juruá, uma unidade de conservação federal de aproximadamente 287 mil hectares. Durante o período que estudou no centro, em Tefé, foi representante da Associação de Produtores Rurais de Carauari (Asproc) e dedicou seus estudos para melhorar os processos de manejo de pesca na região. Confira como foi essa experiência na entrevista para o site do Instituto Mamirauá. 

Como é a vida na comunidade Nova Horizonte, na Reserva Extrativista do Médio Juruá?

Na comunidade Nova Horizonte, a gente trabalha com agricultura, extrativismo em geral, produção de farinha, mandioca e extração de semente como mandioca, copaíba e açaí. A comunidade fica localizada próxima à margem esquerda do rio Juruá, na margem de um lago, aproximadamente uns 100 metros distante do rio. No dia a dia dos moradores, a gente trabalha com agricultura, farinha, banana, entre outras cadeias. A comunidade tem 75 pessoas, são 15 famílias.

Qual é o maior desafio hoje na sua comunidade? 

O que poderia melhorar é o estudo e o trabalho, que poderiam dar assistência aos moradores para permanecerem na comunidade, dentro da reserva. 

Qual foi a primeira que você ouviu falar o instituto?

A primeira vez que eu ouvi falar do Instituto Mamirauá foi participando de um curso de metodologia de contagem de pirarucu promovido pelo Programa de Manejo de Pesca do instituto. O curso foi lá em Carauari. 

E o que te motivou a participar do CVT?

Eu estava participando do projeto “Jovem protagonista”, lá no Juruá, e que tem um grupo de WhatsApp. Alguns colegas mandaram as informações sobre o CVT, do edital que havia sido aberto. Tinha uma moça que fazia inscrição para gente na Asproc. Havia todo um processo de inscrição até se inscrever e passar pelo processo de seleção do CVT. Eu sempre tive vontade de estudar em outro município, um pouco fora da minha região. E depois que li o edital do CVT, eu soube o que era no Instituto Mamirauá e que, se eu viesse estudar aqui, iria receber um leque de informações que, futuramente, poderia voltar para minha comunidade, assim, levar esses dados e contribuir junto aos moradores e às instituições que trabalham com movimento social dentro de Carauari.

Como foi esse processo ao longo desse um ano de aulas no CVT?

Eu passei quase um ano aqui no Instituto Mamirauá tendo aula teórica e aula prática, em alguns momentos. As aulas que vinham eram ministradas dentro do padrão de conhecimento que as organizações desenvolvem. Esse convívio foi muito bom. 

Qual foi o tema do projeto que você escolheu?

Eu escolhi ‘criação de peixes’. O tema surgiu da minha própria comunidade, em julho de 2017, voltando ao local para fazer o plano de trabalho. E um dos problemas que eles levantaram foi a escassez de alimento na comunidade. Onde eu moro se concentram as maiores comunidades da região. É uma área que tem poucos lagos, e o consumo de peixe é grande. Além de ter pouco lago, tem muita gente; e há bastante escassez, principalmente, em determinada época do ano. O meu orientador e também gestor nesse período era o Sandro, que foi até lá comigo e acompanhou também um pouco dessa comunidade. Ele passou para eles sobre os temas que eu já tinha conhecido antes, e esse tema foi escolhido pela comunidade, por esse motivo, da escassez de peixe. Foi sugerido a mim fazer a reunião com a comunidade, falando e explicando. Convidei algumas instituições que atuam na comunidade e os parceiros que apoiaram foram até à comunidade dando assistência técnica, palestra e oficina sobre a criação de peixe. 

O que você achou da sua experiência no CVT?

Foi muito boa. Pude ter experiência com outras comunidades e com outros alunos. A gente trocava muita ideia e fazia esse diálogo. Eles falavam das comunidades deles, e eu falava da minha. Eles falavam na região deles, eu falava da minha. E a gente ia tendo essa troca de experiências, de unidades de conservação diferentes, comunidade diferentes. A experiência que eu adquiri nas aulas, tanto teóricas, como práticas, foi muito importante, porque abriu um leque de informações muito grande. Os professores são muito bons, e eu apenas tenho a agradecer pela oportunidade que o CVT e o Instituto Mamirauá me proporcionaram.

Qual é o seu sonho?

Meu sonho é ser biólogo, porque é uma área que trabalha diretamente com a floresta e descobrindo outras cadeias produtivas que podem ser melhoradas, além de outras formas sustentáveis que existem na floresta. A minha região trabalha muito com as cadeias produtivas. E isso somente ia contribuir para me levar conhecimento e poder interagir com as instituições que atuam diretamente ou indiretamente com os projetos sociais que beneficiam toda a população do Juruá.

Para apoiar projetos do Instituto Mamirauá, como o Centro Vocacional Tecnológico, adquira uma camiseta da campanha “Sonhos Amazônicos” no endereço moko.com.br/sonhosamazonicos. O CVT e essa campanha tem o financiamento da Fundação Gordon e Betty Moore. Vista essa causa!

Entrevista e edição de Eunice Venturi.


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