Curso de certificação de contadores de pirarucu é realizado na Reserva Mamirauá

Publicado em:  2 de novembro de 2017

Quinta edição do curso reuniu representantes de diversas unidades de conservação do estado do Amazonas para aprimorar conhecimentos sobre o manejo de pirarucu

Não há manejo de pirarucu (Arapaima gigas) sem contagem, o que requer olhos treinados, agilidade, preparo e muita experiência. “Para ser contador de pirarucu, a pessoa tem que viver a atividade, tem que conhecer mesmo”, diz o técnico do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá, Jovane Marinho. A partir de lições com os mais antigos no ofício, 22 pessoas participaram da 5ª edição do “Curso de Certificação de Contadores”. O curso foi realizado entre os dias 26 e 31 de outubro na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no estado do Amazonas.

Pioneiros do manejo

E nada melhor que aprender onde tudo começou: o setor Jarauá, onde o manejo de pirarucu é realizado há mais de 15 anos. Os participantes tiveram aulas com quatro experientes contadores de pirarucu da região, como seu Jorge Carvalho, mais conhecido como “Tapioca”. “A gente trabalhou bastante, assim como os meninos trabalharam aí para a certificação, a mesma coisa nós passamos, hoje a gente tem o resultado dessa contagem”, afirma Tapioca, que faz contagem de pirarucus desde 1999 e é uma das lideranças do Acordo de Pesca do setor Jarauá.

O que é a contagem

Fase fundamental para que o manejo de pirarucu seja bem feito, a contagem antecede a captura do enorme peixe amazônico. De tempos em tempos, o pirarucu precisa subir à superfície em busca de ar porque, além da respiração branquial, ele também necessita da respiração aérea. É quando uma parte do peixe fica exposta e a contagem é possível.

“A contagem é uma das principais atividades realizadas no manejo, porque através dela é possível verificar a população de pirarucu dentro da unidade. Com a contagem é que verificamos a sustentabilidade do sistema de manejo, se retirando apenas 30% do estoque há a garantia de um manejo prolongado e sustentável da espécie”, conta o técnico do Programa de Manejo de Pesca, Jonas Batista, se referindo a cota máxima permitida por lei para o manejo de pirarucu.

Certificação

Jonas explica que, diferente do curso sobre a metodologia de contagem, a certificação avalia o resultado da contagem de pirarucu. Para isso, professores, técnicos do Instituto Mamirauá e os participantes fazem o arrasto. Cercando uma região determinada do lago, rio ou furo, o grupo passa uma grande malha, com espessura de de 75 a 80 milímetros, sob a água literalmente arrastando todos os espécimes de pirarucu da área. A prática serve para verificar se o total de pirarucus capturados corresponde ao que foi contado no dia anterior. “Através desse resultado a gente avalia qual o grau da qualidade das contagens realizadas por esses contadores”, afirma Jonas.

Para ser certificado como um contador de pirarucu, a porcentagem de erro deve ser de no máximo 30%, para mais ou para menos, em relação a quantidade final de pirarucus.

Manejo e unidades de conservação

A quinta edição do “Curso de Certificação de Contadores” reuniu um público diversificado, representando várias unidades de conservação e municípios do estado do Amazonas. Além das cidades envolvidas no complexo de reservas Mamirauá e Amanã, como Tefé, Alvarães, Fonte Boa e Maraã, participaram pessoas das Reservas Extrativistas Rio Unini, Baixo Juruá e também das regiões de Carauari e Lábrea.

“Foi muito importante ter o intercâmbio entre todas essas unidades de conservação sendo capacitadas no treinamento”, considera o técnico Jonas Batista. “Agora os participantes vão voltar para sua localidade, sua unidade de conservação e, a partir daí, executar a atividade de contagem com uma melhor segurança e qualidade”.

“Fazer esse curso de arrasto e contagem do pirarucu era um sonho meu, porque já há muito tempo eu ouvia falar que para ser um contador profissional tem que passar por esse curso, contar e arrastar o peixe para ver se a realidade é aquela. Eu espero sair daqui e levar um bom resultado para minha comunidade”, disse João Lima dos Santos, representante da comunidade Nova Joacaca, localizada na Reserva Amanã.

O “Curso de Certificação de Contadores” é realizado pelo Instituto Mamirauá – unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologias, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Texto: João Cunha

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