Contagem noturna e captura diurna de aruanãs testam método para manejo

Publicado em: 14 de novembro de 2014

Já é noite no Lago Apuizinho e passa das 20 horas. A movimentação torna-se intensa na área: pesquisadores, técnicos e pescadores se preparam para sair do acampamento montado às margens do lago. É hora da contagem de aruanãs (Osteoglossum bicirrhosum). A atividade foi realizada em outubro no município de Maraã (AM). 
 
Com lanternas em punho, pescadores experientes dividem-se em canoas, na companhia de pesquisadores munidos de planilhas de registro. Emparelhadas, cada canoa percorre o lago de uma cabeceira a outra, na mesma velocidade, controlada por um aparelho de GPS. A distância entre as canoas delimita o campo de visão de cada pescador, que contará dez metros a sua esquerda e dez metros a sua direita. Os pescadores vão focando os aruanãs e cada peixe de médio ou grande porte visualizado por eles é registrado pelos pesquisadores.
 
Feita essa primeira contagem, a equipe para por cerca de 40 minutos. Tempo para os peixes se acalmarem da movimentação incomum. Depois mais uma vez o lago é percorrido, agora na direção oposta. “Fazemos esta contagem à noite porque o peixe fica bem na superfície e não foge. Como o aruanã é um peixe de superfície, dá para visualizar bem com o foco da lanterna”, afirma Jonas de Oliveira, técnico do Instituto Mamirauá. 
 
O Lago Apuizinho fica no complexo do Lago Preto, na Reserva Mamirauá. Nessa área, o manejo de pirarucus já ocorre desde 2002. E agora o manejo de alevinos de aruanãs começa a se desenhar. Esta foi uma demanda de comunidades e de pescadores da região, porque os alevinos dos aruanãs têm alto potencial de comercialização como peixe ornamental. 
 
Desde então, o Instituto Mamirauá vem promovendo pesquisas para subsidiar e determinar protocolos para este manejo.  Continuamente estuda-se a biologia e a reprodução dos aruanãs.  Um método de contagem acurado é um fundamental aliado para se estabelecer a quota de peixes que poderão ser retirados sem prejudicar a dinâmica populacional da espécie.  A ideia é que a contagem noturna de aruanãs seja este método, por isso a necessidade de testá-lo, avaliando a sua eficiência, sua confiabilidade e viabilidade para estimar a população da espécie.
 
Na manhã seguinte à contagem, é realizada a captura dos aruanãs, pelo mesmo grupo e no mesmo lago. Os pescadores, com malhadeiras, vão cercando o lago e capturando os peixes. Uma segunda equipe faz a marcação dos peixes, medindo e identificando o sexo de cada um. Dois dias depois, uma nova captura é realizada, seguindo os mesmos padrões da primeira, para dar mais confiabilidade aos números.  “Primeiro, fazemos a contagem do aruanã, à noite, para no dia seguinte fazermos a captura e marcação. Por que a captura e a marcação? Porque a gente vai fazer uma comparação entre os números da contagem e da captura, para ver se a quantidade de peixes visualizada é compatível com o que a gente capturou nas malhadeiras”, explica Jonas. A aproximação entre os números indica que o método de contagem é uma maneira efetiva de realizar a estimativa populacional de aruanãs. 
 
Por meio das pesquisas, gradativamente vem-se construindo possibilidades para um futuro manejo de aruanãs, criando mais uma alternativa para a geração de renda para as comunidades das reservas Mamirauá e Amanã.  Este é o segundo ano que a contagem acontece. Raimundo Pinheiro, pescador associado à Colônia Z-32, de Maraã, participa da contagem noturna desde o ano passado. Ele acredita que “se der tudo certo, e a gente tem fé que vai, isso não vai servir só para mim, mas para vários sócios e várias pessoas. Estamos trabalhando muito e todo mundo vai ficar feliz com os resultados disso”. 
 
Por Vanessa Eyng
 

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