Conhecendo o Ictio: primeiros treinamentos com novo aplicativo

Publicado em: 24 de maio de 2018

Os cardumes estavam espalhados pelas paredes e mesas da sala de aula. Cópias em papel de tambaquis, douradas, jaraquis, surubins, matrinxãs e vários outros peixes que migram. Pareciam os  preparativos  de uma brincadeira, mas eram parte de um exercício sério: pela primeira vez a turma do Centro Técnico Vocacional Tecnológico (CVT) do Instituto Mamirauá, em Tefé, usaria o Ictio.

A atividade ocorreu no dia 19 de maio, quando a turma pode conhecer o Ictio, o aplicativo que foi desenvolvido para o projeto Ciência Cidadã para a Amazônia. Com ele, os usuários poderão registrar informações sobre peixes migradores em toda a bacia do rio Amazonas. E para experimentar a novidade, em duplas ou trio, os alunos foram atrás dos peixes impressos, fazendo o registro de sua pescaria simulada.

Wildrison Marinho, aluno do CVT, aproveitou a oportunidade de teste e fez várias listas. É por meio dessas listas que cada atividade de pesca é registrada. "Essa atividade já foi bem interessante para a gente conhecer o aplicativo. Eu quero saber mais sobre o Ictio, para poder levar para a minha comunidade". Will, como é chamado, é de Porto Praia, uma Terra Indígena às margens do Solimões. Para os moradores dali a pesca dos bagres, que são pescados na calha do Solimões, e dos peixes de escama, como o tambaqui, que são pescados nos lagos guardados pela comunidade, é parte do dia a dia de todos. Esses peixes são migradores, e são fonte de renda da comunidade. "É muito positivo que a gente possa obter resultados sobre quantidade de peixe usando o aplicativo, ou seu peso. Mas precisamos entender melhor como essas informações serão compartilhadas e acessadas pela gente", completa animado.

Depois da prática, as atividades foram complementadas no dia 21 de maio, com a avaliação coletiva da versão beta do Ictio. "É muito importante essa etapa, já que os próprios usuários podem dar um retorno para a equipe de desenvolvimento, a partir de uma experiência prática", lembra Vanessa Eyng, analista de pesquisa do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). 

A primeira versão do Ictio estará disponível para download a partir de Julho de 2018, para smartphones que operam  com Android 5.0 ou superior.  E os alunos do CVT já estão fazendo planos para essa nova etapa, de uso do aplicativo.

Débora Batalha, que também estuda no CVT, é da comunidade Nova Esperança. A comunidade, que fica no município de Fonte Boa, também está às margens do rio Solimões, importante local de passagem dos bagres migradores. "Para mim, participar do projeto é uma nova experiência, fazendo parte desde o começo, e trabalhando para sugerir melhorias e ver o que dá certo. Para a minha comunidade também será muito bom, quando os pescadores forem fazer a despesca, eles podem usar o aplicativo. Essa forma de saber as espécies dos peixes, as quantidades, é muito importante", avalia a aluna, projetando os próximos passos do trabalho.

O projeto Ciência Cidadã para a Amazônia é resultado do trabalho associado da Wildlife Conservation Society (WCS), Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), The Cornell Lab, Instituto del Bien Común, San Diego Zoo, University of Washington, Universidad San Francisco e Florida International University. Conta com o apoio da Fundação Gordon e Betty Moore e colabora com as iniciativas Águas Amazônicas, Movimento Río Vivos e Amazon Fish.

 

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