Comunitários participam de oficina de formação de Agentes Ambientais Voluntários

Publicado em: 20 de março de 2017

Cerca de 30 pessoas de 20 diferentes comunidades das Reservas Amanã e Mamirauá participaram da oficina de Formação de Agentes Ambientais Voluntários. A oficina foi ministrada por uma equipe do Departamento de Mudanças Climáticas e Gestão de Unidades de Conservação (Demuc) da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas. O encontro aconteceu entre os dias 16 e 18 na comunidade São Francisco do Boia, localizada na Reserva Mamirauá (AM).  

Durante os três dias de atividades, os candidatos a agentes participaram de aulas expositivas, debates, exercícios lúdicos e dinâmicas que discutiam o perfil e o papel dos Agentes Ambientais Voluntários. Foram apresentadas as atribuições, a legislação vigente, os conceitos e possíveis metodologias e temas de abordagem. Os organizadores destacaram que o perfil esperado dos agentes é que atuem como educadores ambientais, multiplicadores de lideranças, mobilizadores sociais e mediadores de conflitos. Na região, o programa é realizado em parceria  pelo Demuc e o Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação.

Paulo Roberto e Sousa, técnico de Proteção Ambiental do Instituto Mamirauá, ressaltou que o encontro reuniu comunidades que participam de acordos de pesca ou que estão passando pelos critérios para o desenvolvimento de um acordo. “Para ajudar na mediação dos conflitos que sempre ocorrem, já que se quer uma construção coletiva destes acordos de pesca, o agente ambiental é importante. Além, claro, de se fortalecer os sistemas de vigilância que eles precisam ter pra garantir a proteção das áreas de pesca. Diante das particularidades dessas áreas, cada um vai trabalhar um pouco mais estes aspectos que o agente ambiental hoje tem que se envolver”, reforçou Paulo.

O Programa Agentes Ambientais Voluntários foi implementado nestas duas unidades de conservação em 2013, pelo Demuc em parceria com o Instituto Mamirauá, em concordância com a resolução do Conselho Estadual de Meio Ambiente do Amazonas (n°02/2008), a fim de que os moradores das comunidades participassem da gestão dessas áreas, contribuindo para a conservação dos recursos naturais da região, como explicou Francisca Pimentel, consultora do Demuc.

Antes disso, o programa já era realizado nas áreas, mas por meio de uma parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Ibama).  “O programa ganha um cenário muito importante nas unidades de conservação do estado. É uma forma de empoderamento dos comunitários, em que eles podem perceber que são os atores sociais transformadores do bem-estar da comunidade”, comentou Francisca.

A iniciativa conquistou Gracinete da Silva Batista, da comunidade Jubará, da Reserva Amanã. Junto com o pai, ela participou da oficina com o objetivo de também se tornar uma agente ambiental. Representando as mulheres da comunidade, Graciente conta que a vontade surgiu por acompanhar os trabalhos do irmão que já atua como agente ambiental na comunidade.  “Meu irmão é um agente e perguntou das pessoas se tinha alguém pra se comprometer a fazer este curso. Quando ele vai trabalhar, a gente acompanha ele. Muitas coisas que a gente não sabia, viemos pra aprender”, disse.

Gracinete contou que seu principal foco como agente ambiental será atuar em parceria com a comunidade, num trabalho contínuo. “A gente tem que ter aquela vontade de trabalhar em parceria junto com os colegas, pra quando chegar naquele momento a gente ir participar, do que seja pra fazer, ou quando a gente vai pra vigilância, nunca ir sozinho”, disse.

O agente ambiental da comunidade São Francisco do Boia,  Domingos Martins Carvalho, esteve presente nas atividades e reforçou que, em sua comunidade, a atuação dos agentes contribuiu para uma melhoria do entendimento dos moradores sobre a área em que vivem e para o comportamento na Reserva. “Multiplicou a produção, começamos a trabalhar de maneira mais controlada, com manejo, cuidar da limpeza. É um prazer trabalhar deste jeito. As pessoas que moram aqui me apoiam nessa comunidade, eles tem aquele respeito por mim. E, se eles tem esse respeito por mim, eu tenho que ter esse respeito por eles também e ajudar e contribuir para eu morar dentro da comunidade e fazer parte desta Reserva”, disse.

A gestão destas unidades de conservação é compartilhada entre o Estado e os moradores das comunidades locais. O gestor da Reserva Mamirauá, Raimundo Ribeiro Romaine, reforçou o papel dos agentes para o engajamento dos demais moradores das comunidades. “A gente entende que o agente ambiental é um canteiro de semeaduras que a gente vai disseminando em toda a Reserva, como uma alternativa de encontrar proteção do meio ambiente, mas também de trabalhar a organização social e a mobilização, pra que as pessoas se empoderem deste conhecimento e deste poder de fazer a gestão compartilhada da unidade”, reforçou.

Essas ações contam com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES).

Guardiões do boto

Neste ano, a oficina de formação dos Agentes Ambientais Voluntários teve um diferencial. A partir de uma parceria com a organização não governamental Proteção Animal Mundial, os agentes participaram de uma atividade que incentiva a conservação do boto-vermelho, como mais um componente das atividades depois do credenciamento como agentes.  

“Procuramos o Instituto Mamirauá, com a iniciativa dos agentes ambientais voluntários, que pode ser uma plataforma perfeita para levar mensagens de proteção do boto às comunidades. É muito importante que as pessoas saibam que o consumo da piracatinga pode estar promovendo a caça ilegal do boto  e do jacaré. E também tentar mudar a percepção negativa do boto em alguns lugares”, comentou Roberto Vieto, gerente de vida silvestre na Ong.

De acordo com Roberto, a campanha iniciou em 2014 e já realizou dois projetos piloto nas comunidades Nova Esperança, no município de Fonte Boa, e Porto Braga, localizada no município de Uarini. A proposta visa a conscientização contra o uso do boto como isca para a pesca de piracatinga, com ações de educação ambiental. “Buscamos quais alternativas podem ser implementadas para substituir a pesca da piracatinga. Com esses dados, vamos ter uma percepção melhor depois de dois anos da implementação da moratória. Às vezes, pensamos que a proibição é uma solução e, para eles, é apenas mais uma proibição que não está resolvendo o problema. Então, ter a posição deles sobre o que está acontecendo após essa moratória e após esses esforços de educação é muito valioso”, completou Roberto.

A ideia da parceria é que os Agentes Ambientais Voluntários possam atuar como guardiões do boto, levando a mensagem da conservação nas comunidades que atuam e também coletando informações e sugestões de pescadores e comunitários sobre a problemática. Em 2014, o Instituto Mamirauá lançou uma publicação com dados de pesquisa sobre o assunto. O livro pode ser consultado em nosso site.

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