Comunidades no Amazonas começam a avaliar o uso de aplicativo Ictio

Publicado em: 27 de novembro de 2018

Foram estabelecidos objetivos conjuntos, que visam utilizar mais o aplicativo e envolver mais comunitários nas ações do projeto

Depois de 4 meses realizando treinamentos sobre as funcionalidades do aplicativo Ictio, agora chegou a vez de parar e avaliar o trabalho que vem sendo realizado. E a primeira reunião de avaliação foi realizada na comunidade Boca do Mamirauá, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, estado do Amazonas. A atividade ocorreu no dia 21 de novembro e contou com presença de moradores da comunidade.

Essas reuniões serão realizadas em todos os grupos com os quais o Instituto Mamiauá vem desenvolvendo o projeto Ciência Cidadã para a Amazônia. O objetivo é avaliar, junto com os participantes, como eles próprios têm usado o aplicativo Ictio. “A reunião é uma oportunidade de lembrarmos o que já foi realizado e conversar sobre o trabalho que a comunidade fez após o primeiro treinamento. Na Boca do Mamirauá a participação das mulheres é muito marcante e é um resultado positivo que já temos em relação ao projeto”, afirma Vanessa Eyng, analista de pesquisa do Instituto Mamirauá.

Para os que ainda estavam com dúvidas sobre como usar o aplicativo, foi realizado um novo passo a passo, com exercícios práticos de registro de atividades recentes de pesca. Para Francivane Martins de Oliveira a prática fez toda a diferença. Rapidamente ela já fez duas listas de pesca e compartilhou as informações, junto com o marido. Todos na sua família são pescadores e até as crianças já vão aprendendo. "Fiquei mais à vontade mexendo no celular e fiz minhas listas sem dificuldade. Isso é muito bom porque poderemos divulgar o nosso trabalho", destaca Francivane.

Também foi possível levar para a comunidade os primeiros dados disponibilizados por meio do aplicativo Ictio. Os comunitários puderam ver pela primeira vez um conjunto de registros feitos em mais de 28 locais diferentes da Bacia Amazônica. Os primeiros resultados empolgaram os participantes, que puderam também dar sugestões de como as informações podem ser compartilhadas com os usuários. “As sugestões dos usuários são muito importantes para que possamos construir um banco de dados acessível, com dados organizados de forma útil para os participantes terem informações relevantes sobre suas atividades de pesca”, reforça Vanessa.

Para motivar a continuação do trabalho, foram estabelecidos objetivos conjuntos, que visam utilizar mais o aplicativo e envolver mais comunitários nas ações do projeto. Esses objetivos ajudarão na preparação do grupo para um encontro de usuários que ocorrerá no próximo ano em Tefé.

Atividade especial para as crianças

Além do trabalho realizado com jovens e adultos da comunidade, as crianças também participaram de uma atividade especial. Desenvolvida em parceria com a escola da comunidade, na tarde do dia 22 de novembro as crianças puderam ver uma apresentação de teatro, organizada pelos próprios comunitários. Fantoches produzidos por eles mesmos contaram para as crianças histórias sobre a importância de cuidar dos recursos naturais, principalmente dos peixes.

Para completar, os pequenos ainda conheceram a história da migração da dourada e das viagens de outros peixes. As crianças, muitas delas acostumadas a pesca, conhecem bem os movimentos de vários peixes que entram e saem dos lagos que ficam próximos à comunidade. “Se chover hoje será bom para pescar branquinha. Elas passam em cardume aqui na frente da comunidade nesses dias, fazendo zuada na água”, lembra o pescador Felipe Oliveira, de apenas 12 anos. 

Para não ficarem de fora da experiência do projeto Ciência Cidadã para a Amazônia, experimentaram um pouco como o aplicativo Ictio funciona, mas no papel. Eles desenharam peixes que costumam pescar em um celular e compartilharam suas listas ali mesmo, parecido com o que os adultos e jovens estão fazendo.

Quer conhecer o Ictio?

O Ictio foi desenvolvido pela equipe do Cornell Lab of Ornithology, da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos. O aplicativo é compatível com Android 5.0 ou mais, e está disponível para download pelo Google Play.

O projeto Ciência Cidadã para a Amazônia

O projeto Ciência Cidadã para a Amazônia é resultado do trabalho associado da Wildlife Conservation Society (WCS) em parceria com Cornell Lab of Ornithology, Florida International University, Conservify, Instituto Mamirauá, Instituto del Bien Común, San Diego Zoo Global, Fab Lab Perú, Ecoporé, Sapopema, Universidad San Francisco of Quito, Rainforest Expeditions, Fundação Universidade Federal de Rondônia, Institut de Recherche pour le Développement, Universidad de Ingeniería y Tecnología, Instituto Sinchi, ACEER, CINCIA, ProNaturaleza, Instituto de Investigaciones de la Amazonía Peruana, Institute for Global Environmental Strategies, Earth Innovation Institute, FAUNAGUA, e Fundación Omacha.

Também, colabora com redes como a Iniciativa Águas Amazônicas, o Projeto Amazon Fish, Rios Vivos Andinos, Amazon Dams Network e International Rivers. O projeto é possível graças ao apoio da Fundação Gordon e Betty Moore.

 

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