Comunidades da Reserva Mamirauá se reúnem para proteger os quelônios

Publicado em:  6 de agosto de 2012

06/08/2012 - Pelo menos 16 espécies de quelônios habitam a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no noroeste do Amazonas. Na época de seca, que nessa região vai de julho a dezembro, três espécies utilizam as praias que se formam ao longo do rio Solimões para desovar: tartaruga-da-amazônia, tracajá e a iaçá. Há 16 anos, moradores da Reserva se organizam para proteger áreas de desova de quelônios, vigiando para evitar que invasores retirem ovos ou animais dos locais de reprodução.

Na temporada de reprodução de quelônios deste ano, a expectativa é que 35 áreas sejam protegidas. O compromisso de conservar as áreas foi reafirmado por 44 moradores, representando 18 comunidades, durante a quarta edição da Oficina de Conservação Comunitária de Quelônios, realizada nos dias 25 e 26 de julho, na comunidade do Capote, localizada no interior da Reserva Mamirauá, no território do município de Fonte Boa. Durante o evento, os participantes tiveram acesso a informações sobre legislação ambiental, sobre a importância dos quelônios no meio ambiente e da organização e participação comunitária para garantir a sua conservação.

Atualmente, a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, sigla em inglês) classifica a tartaruga-da-amazônia como dependente de programas de conservação, e tracajás e iaçás como vulneráveis à extinção. As três espécies são muito apreciadas como alimento por comunidades tradicionais da Amazônia.

“Os quelônios têm importância na dieta do ribeirinho, mas também são importantes na dispersão de sementes, servem de alimento para outros animais e consomem plantas aquáticas, auxiliando no equilíbrio dessas espécies nos rios e lagos”, afirma a zootecnista Fernanda Freda, bolsista do Projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert), projeto de pesquisa desenvolvido pelo Instituto Mamirauá, com o patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Ambiental.

Ano passado foram protegidas 33 áreas de desova, onde foram registrados 1448 ninhos de iaçá, 379 de tracajá e 133 de tartaruga. O trabalho nas áreas de proteção garantiu o nascimento de aproximadamente 42 mil filhotes.

As atividades de conservação comunitária de quelônios na Reserva Mamirauá recebem o apoio do Instituto Mamirauá (por meio do Projeto Aquavert e do Programa de Gestão Comunitária), e na região de Fonte Boa, além do Instituto Mamirauá, conta com a parceria do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Fonte Boa, do Centro Estadual de Unidades de Conservação (Ceuc), do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), Associação de Pescadores de Fonte Boa e Colônia de Pescadores Z-52 de Fonte Boa.

 

Caminhada para a conservação dos quelônios chama atenção em Fonte Boa

 

No dia 28 de julho, ainda como parte da programação de sensibilização iniciada na Oficina, os participantes realizaram uma caminhada no centro do município de Fonte Boa em prol da conservação dos quelônios. Com cartazes e palavras de ordem, os caminhantes alertaram a população local para não incentivar o comércio de quelônios, e os pescadores para respeitarem as áreas de proteção, onde não é permitido o lançamento de apetrechos de pesca.

José Ribeiro Cordeiro, morador da comunidade do Viola, participou pela segunda vez da Oficina de Conservação de Quelônios. Ele diz que, em sua comunidade, há um revezamento de moradores nas atividades de vigilância de um lago. José relatou o que fala ao flagrar um invasor retirando ovos da praia: “meu amigo, você sabe que nós temos essa área protegida. Não viemos para brigar, nem para discutir. Só queremos o seu respeito. Geralmente ele conhece a gente, é todo mundo conhecido, e ele sai. Todo mundo volta a ser amigo!”.

 

 

Texto: Augusto Rodrigues

colaboração de Ligia Kloster Apel

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