Cientistas coletam DNA de tartarugas em praias no Tocantins

Publicado em: 16 de novembro de 2018

 

Estudo está avaliando o uso de cascas de ovo como fonte de material genético de fêmeas de tartarugas nessa região da Amazônia. Projeto de conservação tem parceria do Instituto Mamirauá em intercâmbio patrocinado pelo Fundo de Conservação Disney

É noite e centenas de tartarugas-da-amazônia (Podocnemis expansa) começam a emergir em faixas de areias às margens do rio Javaés, no estado do Tocantins. Estamos no mês de setembro, em plena época de reprodução da espécie, e pesquisadores acompanham de perto os quelônios cavarem ninhos na praia para a desova. Em seguida, o grupo recolhe amostras de ovos e de tecido das fêmeas. O projeto faz parte do monitoramento de fauna nessa região da Amazônia e quer avaliar o uso das cascas de ovos como fonte de material genético das fêmeas, bem como estabelecer a melhor hora para coletar o material.

“A partir do momento em que a fêmea deposita os ovos, nós coletamos material genético em diferentes horários para avaliar se esse fator influenciará na identificação correta da fêmea, usando o DNA extraído da casca”, afirma Cristiane de Araujo, membro do Programa de Conservação de Quelônios do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

A pesquisadora passou duas semanas no Parque Nacional do Araguaia, unidade de conservação com mais de 500 mil hectares por onde corre o rio Javaés, em companhia dos especialistas, Dr. Thiago Portelinha e Dra. Adriana Malvásio, da Universidade Federal do Tocantins (UFT), para fazer as coletas. O DNA extraído das cascas dos ovos de tartaruga-da-amazônia será comparado com o DNA extraído do tecido a fim de verificar se a casca de ovos recém postos é uma fonte confiável de material genético das fêmeas e pode ser utilizado para a identificação de individuos.

As amostras estão em análise pelo Laboratório de Evolução e Genética Animal (LEGAL) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em Manaus, sob responsabilidade da Dra. Izeni Farias. 

“Caso o método seja comprovado eficaz, as cascas de ovos poderão ser utilizadas para identificação de cada fêmea, e acompanhamento de seu esforço reprodutivo em vários anos, sem que a fêmea tenha que ser capturada novamente”, conta a pesquisadora da Universidade da Flórida, Cássia Santos Camillo, vice-coordenadora do projeto.

Cristiane de Araujo afirma que os testes atuais se aplicam para espécimes de tartaruga-da-amazônia, mas “de acordo com o avanço das pesquisas, vamos poder adaptar e reproduzir o método para outras espécies de quelônios amazônicos como a iaçá e o tracajá”.

Parceria amazônica, financiamento internacional

As coletas genéticas em tartarugas são parte de um projeto maior de conservação de quelônios aquáticos da Amazônia, desenvolvido pela Universidade da Florida e financiado pelo Fundo de Conservação Disney. O projeto, coordenado pelo Dr. Steve Johnson, conta com a parceria do Instituto Mamirauá, Universidade Federal do Amazonas, Universidade Federal do Tocantins, Instituto IPÊ, WCS-Brasil e WWF-Brasil. Além das análises genéticas o projeto possui ações relacionados ao monitoramento de fêmeas e ninhos e apoio e assessoria técnica a comunidades ribeirinhas que protegem áreas de nidificação de quelônios na Reserva Mamirauá.

Texto: João Cunha

 

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